No diz-que-disse associado ao campeonato da liga das divindades, a direcção do clube católico veio hoje a público admitir que um marco histórico foi estabelecido: o clube islâmico acaba de lhe passar à frente em número de sócios.
O anúncio foi feito pela voz do comentador Monsignor Vittorio Formenti no jornal do clube, o Osservatore Romano.
O meu clube tem mais sócios que o teu
Sadram
A serem verdadeiras as notícias, mais uma vez o anafadinho Sadr, com a cabeça no cepo, terá transformado a derrota em vitória.
A couve galega
Agora que a Inglaterra se prepara para remover os maiores obstáculos à investigação criativa envolvendo embriões humanos, abre-se um universo de possibilidades com implicações éticas particularmente sérias.
À discussão deste tema, infelizmente e comme d'habitude, a massa ignara dos cidadãos não é chamada. Porque lamento essa falha e simultaneamente chamo burros aos cidadãos ?... Bom, porque me parece pertinente.
Para que fique claro, não tenho qualquer oposição de princípio à manipulação do desenvolvimento embrionário a partir de células estaminais ou à produção de colónias viáveis de células híbridas.
Para todos os efeitos, já transpusémos o portal da divindade, quer isso nos agrade ou não, e não há caminho de regresso. O que podemos e devemos fazer é estabelecer com o maior rigor possível as balizas arbitrárias dos desenvolvimentos aceitáveis, com particular atenção à arrogância cega e febril, natural nos aprendizes de feiticeiro, que vai inevitavelmente assaltar muitos dos técnicos que estão ou venham a estar envolvidos nestas actividades.
Como o caminheiro, estamos condenados a fazer caminho ao caminhar.
Lamento por isso desde logo que o primeiro projecto de liberalização, criando um precedente infeliz, venha a ser decidido não por referendo mas por uma representação parlamentar que não é forçosamente a élite esclarecida que julga ser, assessorada ou grosseiramente manipulada por um corpo científico que manifestamente também não é a élite esclarecida que julga ser.
Lamento em seguida que, como acontece em tantas áreas importantes, essas élites auto-proclamadas deliberadamente mantenham os restantes cidadãos na mais absoluta ignorância com o objectivo de legitimar essa auto-proclamação. As massas são ignorantes, e é nesse estado que as élites pretendem mantê-las.
Posto isto, devo confessar que também tenho andado a brincar aos deuses e, depois de muitas experiências infrutíferas, consegui finalmente produzir uma nova versão da couve galega, por adição de cloroplastos às células estaminais de uma senhora galega de fina extracção. O resultado, viável até à idade adulta, é demonstrado na fotografia anexa. Deve notar-se que os procedimentos técnicos são ainda um pouco incipientes, pelo que folhagem parece relativamente mirrada.
Estará Maliki maluku ?
As imagens não são dignificantes...
Logo aos primeiros balázios, os soldados do novíssimo exército governamental abandonaram veículo blindados, que logo foram capturados, usados e destruídos pela rapaziada de Sadr.
Nalguns casos, grupos de polícias e soldados simplesmente mudaram de barricada com armas e bagagens, reatando as antigas lealdades.
E se em Bassora Maliki chegou a controlar uma parte da cidade, em Sadr City a coisa correu mal e em Nassyriah e outras localidades ainda pior.
Nem os administradores imperiais escaparam... Passaram uma noite muito desagradável na Zona Verde, debaixo de bombardeamento contínuo. Pelo aspecto das explosões na área mais atingida, diria que a rapaziada acertou num grupo de depósitos de combustível. A delegação parlamentar alemã que ali se encontrava para testemunhar in loco os progressos da pacificação teve de ser recambiada. Fica para a próxima...
Depois do balde de água fria, Maliki, que tinha dados 3 dias aos sadristas para entregaram as armas, alargou o prazo para 10 dias. Não há pressa.
Confesso a minha perplexidade. Inicialmente, presumi que Maliki tinha sido instigado pela administração imperial. Como mais tarde se verá, ela teria muito a ganhar se o peso político de Sadr e Hakim diminuísse substancialmente em Bassora a muito curto prazo. Ora, se os zunzuns são verdadeiros, Maliki não comunicou a ninguém o que tencionava fazer. Bom, por um lado custa-me perceber como se monta uma operação com 30000 soldadinhos sem que a administração imperial tenha conhecimento. Por outro lado, Maliki poderá ter-se apoiado simplesmente em Hakim, um apoio que se revelou pouco substancial.
Que acontece agora ?
Só Alá sabe...
Na frente militar, apenas o envolvimento sério das tropas imperiais pode quebrar a resistência de Sadr, que, como já demonstrou em ocasiões anteriores, está sempre disposto a lutar ferozmente até à morte. A dos seus homens, entenda-se.
Na frente política, as portas fecharam-se quando xiitas e curdos se negaram a fazer intervir o parlamento, uma manobra supostamente destinada a tramar Sadr, mas que retira também a Maliki a posibilidade de uma saída airosa. A sessão parlamentar contou apenas com meia dúzia de gatos pingados, sadristas e sunitas.
Apesar do alargamento observado das hostilidades, com umas centenas de mortes uns milhares de milhões de dólares de prejuízos, arriscaria afirmar que a ofensiva irá esmorecer. Se assim for, o anafadinho Sadr irá sair mais uma vez fortalecido de uma situação desfavorável. O rapaz tem jeito para estas coisas.
Uma última palavrinha para as tropas de Sua Majestade. Encafuadas há meses no aeoroporto, devem passar o tempo nas free shops, pois nem piam. Supostamente, deveriam ter deixado Bassora num estado governável antes de removerem o grosso da manada.
Aloz, nós quelemos aloz
O arroz toma a dianteira, num sprint imbatível.
Nos mercados internacionais, o preço deu um salto de quase 30% num dia, o que significa que este produto vale agora o dobro do que valia em Janeiro.
Cambodja, Vietnam, Índia e Egipto, face à procura crescente, responderam com a limitação das exportações. Tendo em conta que a área agrícola desviada para produção de biocombustíveis já assume proporções significativas que afectam outros cereais, como acontece nos EUA, a previsão de uma crise alimentar nos países mais pobres parece estar a concretizar-ser bem mais cedo do que se poderia imaginar.
Aumento contínuo da procura, redução da oferta, stocks no quantitativo mais baixo dos últimos 30 anos... Alguém vai ficar sem nada na mesa, não tarda nada.
Dá-lhe agora, que está de costas
No meio da escaramuça entre Sadr e Maliki, há notícias de confrontos entre os sadristas do Mehdi e o Badr de Hakim, que pelos vistos aproveitou para molhar a sopa. Há que aproveitar as oportunidades.
A lágrima do insecto
Definitivamente, não foi boa idéia punir colectivamente mais de um milhão de pessoas no ghetto de Gaza pelo crime de apoiarem o Hamas. Noutros tempos ou locais estaríamos a falar de um grave crime de guerra, mas como somos nós a perpetrá-lo, o crime transmuta-se em benesse.
Bom, parece que alguns dos nossos queridos líderes acordaram. Em poucos dias, florescem por todo o Ocidente as declarações sobre a necessidade de uma reavaliação da estratégia adoptada. Até em Israel se proclama a necessidade de acabar com o bloqueio e chamar o Hamas para a mesa das negociações.
Por cima de todo este lixo, também Blair apareceu agora a apelar à mudança, pedindo pão para as bocas esfomeadas, na esperança de que as massas ignaras, com a barriguinha cheia, acabem por isolar os tenebrosos ( ai tão horrorosos ! ) extremistas. No raciocínio simples do insecto, a solução é simples: se não podemos vencê-los pela brutalidade, tentemos corrompê-los.
Bom, bom... Chega de patetices, meus senhores.
Chamar nomes ao Hamas e matar os seus membros ou metê-los na prisão não resolve nada. Seria mais ou menos equivalente a, em Portugal, acusar as Misercórdias de exercerem o crime organizado e esturricar os provedores a tiros de míssil ou metê-los todos na cadeia. Embora a acusação possa ter algum fundamento, duvido que a populaça batesse palmas.
O gânglio bem esgalhado
A mixórdia que se vê na gravura não é uma couve-flor. É antes o que resulta de um gânglio nervoso que foi crescendo e mudando ao longo de milhões de anos.
Bom, crescendo não será a palavra certa. Entre a central eléctrica simples que comanda uma minhoca e a gigantesca salgalhada de um cérebro humano as diferenças não são apenas quantitativas.
Tal como acontece com outras das variadíssimas populações que constituem um ser humano, observamos no cérebro os traços de um padrão de desenvolvimento histórico por etapas, em que cada nova estrutura parece conviver de forma umas vezes harmoniosa, outras vezes conflituosa, com estruturas mais primitivas. Se pensarmos um pouco, faz sentido. Cada nova divergência pode desenvolver-se e trazer pequenos ou grandes benefícios, havendo a garantia de que as estruturas mais primitivas, testadas ao longo de muitas gerações, continuam a assegurar a viabilidade da colónia. O seguro morreu de velho.
Mas adiante, que mais tarde hei-de voltar a este aspecto. Por hoje, apetece-me apenas chamar a atenção do querido leitor para dois pormenores que me deixam intrigado...
Um é o âmbito estranhamente limitado de modos de tratamento de informação que toda a espécie humana exibe. Se o leitor reparar, os 6 mil milhões de representantes da espécie parecem processar de forma muito semelhante quer a informação proveniente do exterior, quer a armazenada. Mais extraordinário ainda, comungam da capacidade de manter a estabilidade dessa forma de processamento ao longo de quase toda a sua vida, incluindo, pasme-se, os saltos qualitativos entre a infância, adolescência e idade adulta.
A que se deverá tão reduzida variação ?
O outro é a distribuição de competências funcionais num cérebro individual. Nas estruturas mais antigas, a especialização funcional é compreensível. Mas... E no neocórtex ? Será válido afirmar que a dimensão das áreas afectas a funcionalidades específicas é, grosso modo, quase idêntica em todos os seres humanos, variando apenas ligeiramente de acordo com o regime de estimulação nas fases iniciais de desenvolvimento ? Porquê ? Porquê ?
Vou nanar...
O mocho contra-ataca
Timing
Podendo justamente notar-se que estabeleço uma correlação indevida entre a revelação da identidade de Spitzer e a sua denúncia do uso de um organismo federal para benefício de entidades privadas, tendo desse benefício resultado prejuízo grave para o interesse público, parece-me vantajoso frisar que o rapaz foi apanhado com a boca na botija no Verão do ano passado, em resultado de procedimentos automáticos de detecção de irregularidades nas movimentações bancárias.
Friso bem, no Verão do ano passado. Para bom entendedor, meia palavra ba...
Do bom uso da coisa pública
Eliot Spitzer.
Caiu num ápice, o anjinho, ironicamente numa situação semelhante à que há uns anos atrás lhe dera notoriedade enquanto procurador. Desta vez, hélas, é um dos clientes.
Nada de espantar, numa élite política talvez demasiado dada ao hedonismo num país que se acha puritano. Ora, lá como cá, os ficheiros das polícias estão decerto carregadinhos destes segredinhos incómodos. Lá como cá, para quem souber mexer-se no momento que ache conveniente, é fácil transpor para o domínio público a identidade do cliente 9 e fazê-lo cair.
Talvez seja possível indicar o momento em que a sorte de Spitzer mudou. Talvez tenha sido o dia 14 de Fevereiro, em que publicou no Washington Post um artigo em que fazia acusações muito graves a um organismo federal que fiscaliza o sistema bancário, o OCC.
Como será do conhecimento dos mais atentos, há vários anos que alguns analistas vinham alertando para a iminência de uma crise devastadora no mercado imobiliário.
Ora, de acordo com Spitzer, em 2003 o OCC impediu activamente os estados de aplicar medidas de protecção ao consumidor, garantindo assim que não haveria oposição às práticas bancárias vigentes, apesar do protesto da totalidade dos estados. O jogo da D. Branca pôde assim continuar livremente, até à queda estrondosa a que agora assistimos, com a passagem ao estado gasoso de 1,3 triliões de dólares e o risco de colapso financeiro a nível global se a coisa der mesmo para o torto.
Para mais informações, p.f. consulte
www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/02/13/AR2008021302783.html
Para outras informações relacionadas, observe com atenção a realidade portuguesa. Vai ter muito com que se entreter.
Mais um tiro pela culatra
Plonk.
Depois de meses de chantagem, a população dos ghettos de Gaza e da Cisjordânia não parece impressionada.
Na sondagem mais recente, Haniyeh surge à frente de Abbas, com 47% contra 46%, repondo assim a supremacia do Hamas.
Má notícia para a demagogia ocidental.
De pouco está a servir a novíssima ronda dos vendedores de sonhos, poucos são os que acreditam que desta vez o direito palestiniano à autodeterminação seja tratado com alguma seriedade. A posição do ocupante não deixa margem para grandes dúvidas, trata-se apenas de mais um entretenimento destinado a proporcionar uma nova janela de tempo para implementação de mais alguns 'factos no terreno'.
Quanto tempo julgamos ter antes que a crise nos rebente na cara ?
Cem anos de expedientes não resolveram coisa nenhuma, antes amplificaram a magnitude do problema, e, sendo certo que a cada momento que passa a correlação de forças pende mais um pouco a favor da Ásia, seria prudente que as nossas luminárias percebessem que esta loucura facilmente nos colocará numa trajectória de confronto indirecto com a China e o seu aliado circunstancial russo.
A defesa de um império é claramente muito mais custosa que o esforço necessário para o derrubar. Admito que os EUA, por razões várias, possam não ter uma consciência clara deste facto, mas parece-me no mínimo estranho que a UE, da qual vários membros deram com os burros na água nas suas aventuras coloniais, não se empenhe em pôr um ponto final neste embuste.
Dólar, vende-se. Bom preço.
O Goldman Sachs sugere que em pelo menos um indicador o peso económico da UE passou para a primeira posição, até aqui ocupada pelos EUA.
Deve ler-se isto como um avanço europeu, ou como um retrocesso americano ?....
Em qualquer caso, tendo em conta a inércia do tio Sam e o ritmo de crescimento dos pesos-pesados asiáticos, o 'new american century' parece ser chão que deu uvas. E esse é um mau presságio.
http://afp.google.com/article/ALeqM5j2RAttyZxnntuDYUI-Crf9hcbgXA
Fez cinco aninhos
Não gostamos de fazer certas contas. Por isso, podemos apenas dizer que o número de cidadãos iraquianos que até agora pagaram com a vida pelo crime de não serem ocidentais andará algures entre os 90000 e os 500000. Para além disso, cerca de 2 milhões refugiaram-se nos países limítrofes e outros 2 milhões rabiam deslocados no interior do Iraque.Uma festa.
E chegou a festa ao fim ? Não creio. Na verdade, talvez não tenha ainda começado. Nenhum dos problemas do Iraque está resolvido, e apenas a força militar imperial consegue manter em lume brando o reajustamento violento da configuração política interna ( ou o puro e simples colapso do estado-nação ). Ora, estando a potência imperial e seus aliados a dispender mensalmente 4 mil milhões de dólares, é razoável supor que mais tarde ou mais cedo haverá que abandonar o barco.
Que acontecerá então ? Pensemos um pouco... O Iraque é um estado-nação ficcional, tendo no seu interior três grandes grupos com interesses divergentes. Mesmo assim, funcionou durante décadas como tampão entre outros estados da região ( alguns deles também ficcionais ). Esse tempo acabou.
Por um lado, a ascensão dos xiitas a sul, agravada por se tratar de uma expansão vasta e súbita da área de influência iraniana, causa arrepios aos déspotas sauditas e suores frios a alguns outros.
Por outro lado, a existência do quase-estado curdo forçará a Turquia a repetir as incursões nesse território para diminuir a capacidade ofensiva do PKK. Um aspecto que me parece caricato no meio desta novela é que, sendo a Turquia membro da NATO, pode solicitar o apoio de outros membros face a ameaças à sua integridade territorial, o que deixa os EUA numa posição muito curiosa... Para melhor envenenar a situação, o quase-estado curdo conta com apoio israelita.
Por outro lado ainda, o colosso iraniano. Sem mexer uma palha, viu os seus interesses estratégicos aparentemente servidos de bandeja pelo Superpateta, para logo em seguida ficar na ingrata posição de ter o bolo à sua frente e não o poder comer. Para os EUA e para o Ocidente em geral, por alguma razão que me escapa, a estabilização do Irão como potência regional é um pesadelo, decorrendo daí que, tal como o Iraque, deva ser militarmente subjugado. Não sei que coisas se fumam nos corredores da Casa Branca ou de Bruxelas... Mas que são fortes, são.
Por último, o velho jogo das grandes potências vai reforçando a posição do Irão como testa de ferro dos interesses russos e chineses, o que prenuncia alguns problemazitos quando despedaçarmos à bomba os cidadãos de Teerão.
Ah, já me esquecia... A imagem anexa é um instantâneo da AFP retratando a promissora mocidade iraquiana.
Cidadania e responsabilidade
Noutros locais, tenho gerado algum desagrado quando afirmo que em estados democráticos os cidadãos são solidariamente responsáveis por actos imorais ou criminosos cometidos pelos seus governos.
Alegam algumas alminhas trémulas que os cidadãos dos países democráticos são bondosos e não podem ser culpabilizados pela maldade de governantes pérfidos.
Treta.
Na verdade, não nos preocupamos muito com o que os nossos governantes possam fazer, desde que tenhamos a possibilidade de assobiar e olhar para o lado.
Quando a coisa dá para o torto, podemos sempre dizer que não sabíamos de nada. Palavra da salvação.
Na eleição seguinte votamos no mesmo partido, esperando que o novo ministro saiba fazer as coisas com menos espalhafato.
São muitas as situações que se enquadram nesta perversão. Uma delas está bem retratada num filme que vi ontem, e que recomendo:
Country of my skull
De John Boorman, 2004
Com Samuel Jackson e Juliette Binoche
Divirtam-se, e comecem a pensar no assunto.
Mais tarde retomarei o tema, e o que terei para dizer não vai ser nada agradável.
Canções de embalar
Depois de provocarmos a queda do governo palestiano eleito e de punirmos colectivamente toda a população, achámos por bem dar mais um doce aos sub-humanos, como tantas vezes aconteceu no passado.
Despachámos então o Superpateta numa nova missão redentora, que irá pela 57ª vez reconhecer o direito palestiniano à auto-determinação, através criação de um lindo estado independente e viável.
Bom, já que os desgraçados continuam a não enveredar pela guerra civil que tão generosamente tentámos provocar, haverá sempre outras formas de dar a esta misssão redentora o destino que tiveram todas as outras, o caixote do lixo. Não faltarão oportunidades.
Entretanto, grão a grão vai a galinha enchendo o papo. Olmert anunciou a construção de mais 750 casinhas para os seus colonos, enquanto Tzipi Livni vai adiantando que nas actuais circunstâncias a criação de um estado palestiniano criaria um problema de segurança para Israel.
Eu sei que sou burro, mas, após cem anos desta palhaçada sórdida, não conseguem mesmo arranjar outra canção de embalar ?
Não é por nada, mas quatro milhões de pessoas nos ghettos, mais outros tantos nos países vizinhos, não são coisa que se possa esconder indefinidamente debaixo do tapete.
Em nosso nome
Em nosso nome, caso possam ter esquecido, um Barroso viril acolheu em território português a cimeira da guerra.
SS
O meu aplauso para a iniciativa parlamentar do CDS e do PSD, destinada a colocar um açaime nos pitbull da ASAE, tropa de choque do tecnofascismo.
Sordidez e trapalhice
Cometemos alguns erros de cálculo quando insistimos na realização de eleições nos ghettos de Gaza e da Cisjordânia. O Hamas acabou por ter uma vitória tranquila, o que, bem vistas as coisas, não espanta muito.
Hmm.. Os sub-humanos não perceberam que a nossa insistência na expressão democrática da vontade popular não se referia a ESSA expressão democrática. Burros.
Houve então que punir a leviandade, tal como antes acontecera na Argélia, e de imediato impusemos sanções a toda aquela gentinha, generosamente acompanhados pela potência ocupante. A fome é usualmente boa conselheira.
Mesmo assim, pasme-se, os ingratos mantiveram o respeito pelo resultado das eleições.
Felizmente temos por ali alguns amigos (ainda ontem eram corruptas e muito terroristas incarnações do mal, mas há que ser pragmático... ), muito úteis na execução do plano B, o da guerra civil.
Um plano fantástico, magistralmente gisado pelo círculo íntimo do Superpateta. Pena que, como todos os outros planos fantásticos gisados pelo Superpateta, tenha falhado.
Duvida deste esforço, alma incrédula ?
Pois penitencie-se e pasme. Já.
http://www.vanityfair.com/politics/features/2008/04/gaza200804
Serão os deuses um curto-circuito ?
Não surpreenderia.
Sendo as religiões uma mistura pouco prudente de cosmologia e ética, com um palmarés de insanidade que ultrapassa qualquer das outras obsessões humanas, parece chegado o momento de tentar perceber se efectivamente resultam de alguma falha estrutural do cérebro.
Em Oxford, a investigação vai começar.
http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article3393198.ece
Talibanhada
No lado afegão, Kharzai controla agora pouco mais de 30% do território.
No lado paquistanês, a soberania dum estado cada vez mais enfraquecido é ameaçada nos territórios tribais. Anunciam-se novas campanhas de pacificação, mais eficientes que as anteriores...
Certo de que nesta altura as cabeças que superiormente nos dirigem já terão percebido que dois mais dois são quatro, parece-me que talvez seja interessante pensar numa forma de restabelecer rapidamente um poder Taliban que não traga a reboque o Bin Laden e a sua maquineta de hemodiálise.
Já nos bastou o erro do Superpateta, seria útil que não o agravássemos com a transformação do Paquistão num estado falhado.
Kharzai está aberto à partilha de poder. Teremos nós o discernimento necessário para o apoiar ?...
Do gado bovino
Para me encontrar com familiares, entrei no templo da seita Ikea. Fiquei pelo restaurante junto da entrada, paparoquei e decidi vir cá fora fumar um cigarro.
Para meu espanto, fiquei a saber que, para sair do edifício, a seita me obrigava a percorrê-lo na totalidade, num percurso sinuoso destinado a expôr prolongadamente as cabeças de gado aos maravilhosos fenos que proporciona.
Consegui sair por uma porta de emergência, como vitelo ensandecido que escapa ao cutelo, deixando para trás um rasto de bichanice radiofónica entre os hooligans que guiam a manada.

