A lista de participantes do gabinete de crise reunido durante o fim-de-semana passado pela Reserva Federal incluía representantes do Royal Bank of Scotland, um dos bancos estrangeiros mais embrenhados no mercado norte-americano.
Lendo a lista, veio-me à memória o aviso feito pelo RBS aos investidores há precisamente três meses atrás sobre o que iria acontecer em Setembro.
Tratando-se de uma instituição com peso suficiente para ser agora chamada a intervir pela Reserva Federal, pergunto-me se esse gabinete de crise não deveria ter sido reunido logo que o RBS emitiu o aviso ...
A queda anunciada
Afogadistão
A aventura em terras afegãs tremelica.
Após meia dúzia de anos de envolvimento ocidental, tornou-se claro que a estratégia seguida nos vai conduzindo para uma derrota semelhante à das tropas soviéticas.
Perante isto, do outro lado do Atlântico o Superpateta decidiu em Julho dar o grande salto em frente e cobrir o problema com bombas, incluindo agora o território paquistanês, de modo a dar um sinal claro à governação deste país. O momento não foi bem escolhido, pois em Islamabad não há para já um poder definido.
Os primeiros resultados deste salto não podiam ser piores.
Os relatos de chacina de populações civis vão pingando com intervalos de poucos dias, conduzindo as autoridades afegãs e paquistanesas para um ponto perigoso.
No meio de uma situação política bastante instável, Islamabad é forçada a intensificar as acções para retoma de alguma soberania nos territórios autónomos, ao mesmo tempo que ameaça as tropas ocidentais com uma reacção violenta. Hoje mesmo, circularam rumores de que as tropas paquistanesas terão aberto fogo contra um grupo de helicópteros norte-americanos. O Pentágono nega os rumores. Complicado, complicado.
Terão os nossos queridos dirigentes pesado os riscos decorrentes da desestabilização do Paquistão ?... Mais, terão ponderado o problema do envolvimento da NATO na violação da soberania deste país ?... Se não, então quem autorizou Gordon Brown a dizer que vai solicitar ao governo paquistanês permissão para entrada das tropas da NATO ?...
Não parece que haja grande espaço de reflexão, se tivermos em conta um outro movimento, particularmente idiota, que promete agravar a situação...
Não se contentando com o crescente envolvimento económico indiano, que já causou uma reacção paquistanesa bastante cruel, tentam agora os nossos queridos dirigentes conduzir a Índia a um envolvimento militar, sabendo que o Paquistão não pode aceitar tal coisa.
Não creio que haja neste momento um único dirigente ocidental capaz de prever a duração do nosso envolvimento. Arrisco afirmar que esta guerra pateta será travada ainda por mais alguns anos, até que alguém note que não há nela quaisquer objectivos, ou quando a Índia e o Paquistão desatarem à estalada, ou mesmo quando a NATO e o Paquistão desatarem à estalada.
Brilhante. Para que serve isto ?
O flato do urso
Com a desagregação da URSS, não ocorreu um retorno massivo dos cidadãos russos. Para os países de charneira, a situação resultou delicada, pois deixou à Rússia a possibilidade de legitimar intervenções militares com base no direito de defesa dos seus cidadãos.
Ciente dessa vantagem, a Rússia não se tem preocupado muito em trazer de volta os seus concidadãos. Ao contrário, sempre que necessário tem vindo a incrementar por via burocrática o seu peso nalgumas regiões desses países, emitindo passaportes com grande generosidade. Aconteceu na Ossétia, acontece agora na Crimeia.
Manter os problemas em banho-maria não é necessariamente uma boa solução, porque alguns há que não morrem de tédio.
Neste caso concreto, o cenário está montado há anos, e era previsível que a reconstrução política da Rússia lhe permitisse reconstruir também o poder de imposição de soberania limitada na sua zona de influência, e a questão da cidadania só vem facilitar este movimento.
Nada que não soubéssemos, recordemos que há 60 anos atrás houve um senhor de bigodinho que se fartou de usar o expediente com excelentes resultados.
Na Europa, sabemos do interesse russo em ambas as vertentes do Cáucaso. Sabemos ainda da importância da estabilidade da Geórgia na garantia da nossa trémula independência energética.
Não sabemos muito mais... Mas há quem saiba, apesar de tudo. É o caso dos turcos, bastante empenhados em levar as tubagens até ao Irão, já que as de Tblissi se arriscam a ficar vazias até ao dia do juízo final.
Fim-de-semana alucinante
Em Wall Street, não houve fim-de-semana para ninguém.
Basicamente, uma lufa-lufa de reuniões para definir quem iria tombar.
Calhou a sorte ao Lehman Brothers, bancarrota pura e simples... Azar, não se inventam 600 mil milhões de dólares em dois dias.
Safaram-se os fãs do Merril Lynch, que acabou por ser papado pelo Bank of America.
Fantástico, melga.
Vejamos agora quem vai pagar isto. As bolsas europeias começaram o dia de hoje com hemorragia pronunciada.
