Os pretextos sucedem-se, e são aproveitados até ao tutano.
Depois da morte de Montazeri, que mobilizou uma nova onda de protestos enquanto o poder se esforçava por abafar o assunto de forma burlesca, segue-se amanhã o Ashura, significativo para a facção xiita.
Como se tem podido observar, a oposição continua a tentar afirmar-se quase somente na arena religiosa, de forma a evitar que o regime monopolize essa fonte de legitimação. Um jogo que terá a sua piada mas que ao mesmo tempo cria algum incómodo, pois restringe a dinâmica da orientação política dos protestos.
Referi há algum tempo que me parecia que a manutenção da iniciativa nas mãos da classe média urbana, não sendo capaz de envolver outros segmentos da sociedade, poderia condenar a oposição a um lento e fatal isolamento. Ora, há dois segmentos parcialmente sobrepostos que se podem mobilizar, o operariado e as mulheres. O primeiro porque tem vindo a sofrer em primeira mão as consequências de um longo período inflacionário, o segundo porque a subalternização da mulher sob domínio xiita se coaduna cada vez menos com uma estrutura social em que cresce o número de mulheres que acedem ao ensino enquanto as faixas mais largas da árvore etária se concentram à volta dos 20 a 24 anos.
As contradições são muitas, e é desconcertante assistir às movimentações de uma liderança claramente teocrática ( por convicção ou medo ) seguida por uma onda popular cada vez mais propensa a utilizar palavras de ordem anti-teocráticas.
E se é sinal positivo a expansão dos protestos a um número crescente de cidades, resta saber para onde se irá orientar, se subsistir, o descontentamento das classes mais baixas, numa altura em que a taxa de inflação desce para os 15% e se espera atinja os 10% nos primeiros meses de 2010.
A janela de oportunidade para um levantamento geral não é muito larga.
Depois da morte de Montazeri, que mobilizou uma nova onda de protestos enquanto o poder se esforçava por abafar o assunto de forma burlesca, segue-se amanhã o Ashura, significativo para a facção xiita.
Como se tem podido observar, a oposição continua a tentar afirmar-se quase somente na arena religiosa, de forma a evitar que o regime monopolize essa fonte de legitimação. Um jogo que terá a sua piada mas que ao mesmo tempo cria algum incómodo, pois restringe a dinâmica da orientação política dos protestos.
Referi há algum tempo que me parecia que a manutenção da iniciativa nas mãos da classe média urbana, não sendo capaz de envolver outros segmentos da sociedade, poderia condenar a oposição a um lento e fatal isolamento. Ora, há dois segmentos parcialmente sobrepostos que se podem mobilizar, o operariado e as mulheres. O primeiro porque tem vindo a sofrer em primeira mão as consequências de um longo período inflacionário, o segundo porque a subalternização da mulher sob domínio xiita se coaduna cada vez menos com uma estrutura social em que cresce o número de mulheres que acedem ao ensino enquanto as faixas mais largas da árvore etária se concentram à volta dos 20 a 24 anos.
As contradições são muitas, e é desconcertante assistir às movimentações de uma liderança claramente teocrática ( por convicção ou medo ) seguida por uma onda popular cada vez mais propensa a utilizar palavras de ordem anti-teocráticas.
E se é sinal positivo a expansão dos protestos a um número crescente de cidades, resta saber para onde se irá orientar, se subsistir, o descontentamento das classes mais baixas, numa altura em que a taxa de inflação desce para os 15% e se espera atinja os 10% nos primeiros meses de 2010.
A janela de oportunidade para um levantamento geral não é muito larga.


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