A réplica

De acordo com uma notícia do Haaretz, relatando uma reunião do corpo diplomático israelita nos EUA, a administração norte-americana terá colocado quatro exigências a Tel Aviv, a saber:
1. Investigação do processo que conduziu ao anúncio do plano de contrução em Jerusalém Leste, para que se possa determinar se se tratou de um erro burocrático ou de um acto político deliberado;
2. Revogação do plano de construção;
3. Sinalização clara de interesse na retoma do processo negocial, seja pela libertação de centenas de prisioneiros, recuos adicionais de tropas do IDF na Cisjordânia e entrega dessas áreas ao controle palestiniano, alívio no bloqueio de Gaza e remoção adicional de postos de controle rodoviário na Cisjordânia;
4. Emissão de um anúncio oficial de que as conversaçãos, mesmo se indirectas, tratarão de todos os aspectos centrais do conflito, nomeadamente as fronteiras, os refugiados, estatuto de Jerusalém, entendimentos sobre segurança, utilização de recursos hídricos e colonatos.

Não sabemos como isto veio a público. Mas se juntarmos outros sinais, pouco ou nada diplomáticos, podemos verificar que a crise é séria, ao ponto de colocar Obama na posição de emitir um quase-ultimato ao governo israelita.

E este jogo de poker tem implicações... O governo norte-americano já foi humilhado várias vezes pelo gooverno israelita e não pode deixar de retaliar, sob pena de ver a sua credibilidade ainda mais abalada, e creio que é nessa medida que os quatro pontos citados devem ser entendidos. Resta então saber se Tel Aviv se resigna ao seu cumprimento ou insiste na humilhação da potência protectora. Se optar pela segunda via, será interessante ver quem cai primeiro, se Obama se Netanyahu... Estamos neste ponto.

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