Acordei com um estrondo.
Sei que não é bonito começar o dia rogando pragas, mas interromperam-me um sonho interessantíssimo, por sinal o último episódio de uma série espectacular...
Lá acabei por perceber a razão do estrondo. Tratou-se de um foguete. Pum. E para o caso de não ter percebido, os autores da proeza decidiram dar mais algumas dicas. É assim que há mais de uma hora ziguezagueia por aqui uma banda saída dos infernos, com bombos cruéis que repetem até à exaustão o estrondo original, enquanto um friso de moçoilas viçosas abanica as pernocas gordas e uns duendes inchados sopram cornetas estridentes, aterrorizando tudo quanto é cão, passarito ou insecto, até mesmo um ou outro vegetal.
Ocorreu-me pegar no carro e passá-los a ferro, mas mudei de idéias quando vi que se faziam acompanhar de escolta policial armada.
Creio que se trata das comemorações da revolução ISO 1974, mas fico curioso, que revolução é essa que se faz acompanhar de escolta policial ? Pergunto-me o que na verdade comemorará esta gente... A vitória póstuma de Caetano ?
Revoluções não se comemoram, fazem-se. São como trovoada refrescante, manifestação épica de vitalidade. E quem, no seu perfeito juízo, comemoraria uma qualquer trovoada, espetando medalhs no peito de relâmpagos há muito apagados ?
Ocorreu-me pegar no carro e passá-los a ferro, mas mudei de idéias quando vi que se faziam acompanhar de escolta policial armada.
Creio que se trata das comemorações da revolução ISO 1974, mas fico curioso, que revolução é essa que se faz acompanhar de escolta policial ? Pergunto-me o que na verdade comemorará esta gente... A vitória póstuma de Caetano ?
Revoluções não se comemoram, fazem-se. São como trovoada refrescante, manifestação épica de vitalidade. E quem, no seu perfeito juízo, comemoraria uma qualquer trovoada, espetando medalhs no peito de relâmpagos há muito apagados ?
Revoluções não se comemoram, podemos lembrar-nos ocasionalmente do ribombar deste ou daquele sonhos mais fortes, mas são apenas memórias de coisas há muito desaparecidas. Não se comemoram, anseia-se pela sua volta para que nelas voltemos a mergulhar com a insanidade da alegria, o deboche da criação, o urro da esperança.
O resto é treta.
