O comportamento equívoco dos media face aos desmandos das forças que por algum motivo lhes pareçam próximas não merece grande aplauso.
E se há teatro de guerra em que isso é bem notório é o do Iraque, onde sistematicamente os media silenciaram os aspectos mais negros, refugiando-se no eufemismo dos critérios editoriais.
E se há teatro de guerra em que isso é bem notório é o do Iraque, onde sistematicamente os media silenciaram os aspectos mais negros, refugiando-se no eufemismo dos critérios editoriais.
Aos leitores não foi oferecida a experiência das imagens dos cadáveres transformados em almôndegas pelos rastos dos blindados, do concurso de tiro sobre um sujeito ferido ( com aplauso para o primeiro a acertar ), da carrinha de uma das empresas de mercenários que, de porta a traseira aberta, percorria a auto-estrada despejando rajadas de metralhadora sobre os condutores que se apresentassem na linha de mira, das inúmeras profanações de cadáveres, das armas marcadas com símbolos religiosos pelo fabricante, entre muitas, muitas outras façanhas.
Pelos vistos, só quando os alvos são funcionários dos media ( e neste conflito em particular deve dizer-se que a Reuters teve a sua dose ) é que valem o esforço de alguma insistência na quebra das restrições militares. No caso agora relatado, nem se percebe muito bem a indignação. Trata-se de um grupo em que alguns indivíduos estão claramente armados, e nesse contexto não espanta que o material que os jornalistas trazem a tiracolo acabe por passar também por armamento. A sequência é semelhante a muitas outras, em que uma força avalia a situação durante algum tempo, relata-a em seguida aos superiores e abre fogo depois de autorização clara nesse sentido.
Neste caso, ao contrário de outros, tratou-se claramente de um erro de avaliação que, objectivamente, só acabou por ser desfeito quando se percebeu que havia duas crianças entre as vítimas.
Aprecio o trabalho da Reuters e de outras agências cujos repórteres pagam por vezes com a vida o nosso direito à informação.
Mas apreciaria muito mais que a informação referente a situações bem mais graves que esta tivesse tido o relevo adequado.
Pelos vistos, só quando os alvos são funcionários dos media ( e neste conflito em particular deve dizer-se que a Reuters teve a sua dose ) é que valem o esforço de alguma insistência na quebra das restrições militares. No caso agora relatado, nem se percebe muito bem a indignação. Trata-se de um grupo em que alguns indivíduos estão claramente armados, e nesse contexto não espanta que o material que os jornalistas trazem a tiracolo acabe por passar também por armamento. A sequência é semelhante a muitas outras, em que uma força avalia a situação durante algum tempo, relata-a em seguida aos superiores e abre fogo depois de autorização clara nesse sentido.
Neste caso, ao contrário de outros, tratou-se claramente de um erro de avaliação que, objectivamente, só acabou por ser desfeito quando se percebeu que havia duas crianças entre as vítimas.
Aprecio o trabalho da Reuters e de outras agências cujos repórteres pagam por vezes com a vida o nosso direito à informação.
Mas apreciaria muito mais que a informação referente a situações bem mais graves que esta tivesse tido o relevo adequado.

1 comentário:
O que diferencia este massacre das centenas que aconteceram no Iraque e que continuam a acontecer no Afeganistão? Terem morrido jornalistas? Quem é que tem justificado as guerras de invasão americanas senão a comunicação social e os seus comentadores. São estes srs que agora ficam muito sensibilizados...só porque morreram jornalistas!
De Portugal quem lá devia estar era o Nuno Rogeiro, o Vasco Rato, o Gen. Loureiro dos Santos, etc...
Os helicópteros apaches actuam a tal distância que as suas vítimas nem se apercebem da sua presença...
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