Não, leitor, não resmungue, não estou desatento do Iraque.
Mas atingiu-se ali um momento de pausa constrangida, potencialmente histórica. Lembrar-se-ão alguns de há uns anos ter sugerido que o grande confronto entre os distintos sectores iraquianos só poderia ocorrer finda a ocupação. Pois creio que se aproxima esse momento, quando os soldadinhos imperiais finalmente se preparam para ir abater pessoas noutras paragens ( não muito distantes, quem sabe ).
Mas atingiu-se ali um momento de pausa constrangida, potencialmente histórica. Lembrar-se-ão alguns de há uns anos ter sugerido que o grande confronto entre os distintos sectores iraquianos só poderia ocorrer finda a ocupação. Pois creio que se aproxima esse momento, quando os soldadinhos imperiais finalmente se preparam para ir abater pessoas noutras paragens ( não muito distantes, quem sabe ).
E o momento apanha três figurinhas sobrenadantes... Alawi, Maliki e o anafadinho Sadr. O resto é paisagem, mas tudo bem, pois a base de apio destes três actores reflecte uma configuração sociológica quase estável, embora com certo distanciamento dos curdos. Em jeito grosseiro, Maliki e Sadr aparecem como representantes dos xiitas, Alawi como representante dos sunitas e de um caldo confuso de cidadãos laicos.
Uma arrumação com o seu quê de surpreendente, já que Maliki vinha apertando passo a passo as rédeas do poder e parecia ter há uns anos mandado Sadr de volta para o infantário. Triste sina. Maliki, com todas as batotas que fez e as que fará ainda, não conseguiu senão o segundo lugar.
Uma arrumação com o seu quê de surpreendente, já que Maliki vinha apertando passo a passo as rédeas do poder e parecia ter há uns anos mandado Sadr de volta para o infantário. Triste sina. Maliki, com todas as batotas que fez e as que fará ainda, não conseguiu senão o segundo lugar.
Depois, Allawi, que saíu da penumbra e saltou para o primeiro lugar, congregando os apoios sunitas e, pasme-se, o de muitos xiitas finalmente cansados do canto de sereia religioso.
Por último, o anafadinho Sadr. Depois de atacado sem dó nem piedade pela velha guarda do SCIRI/ISCI, aproximou-se dele para melhor o cilindrar, ficando com a parte de leão dos lugares da coligação e tornado-se automaticamente no ponto focal do sistema político, já que, com apenas dois lugares de diferença entre Alawi e Maliki, acaba por ser Sadr a decidir quem vai governar o país.
Por último, o anafadinho Sadr. Depois de atacado sem dó nem piedade pela velha guarda do SCIRI/ISCI, aproximou-se dele para melhor o cilindrar, ficando com a parte de leão dos lugares da coligação e tornado-se automaticamente no ponto focal do sistema político, já que, com apenas dois lugares de diferença entre Alawi e Maliki, acaba por ser Sadr a decidir quem vai governar o país.
Mas antes disso, há um problema delicado a resolver, que é o de decidir quem vai ser convidado a formar governo... Teoricamente, Alawi tem a primazia. Na prática, Maliki entretem-se agora a tentar emitir mandatos de captura sobre os eleitos do seu adversário, e não pára de dizer que o que conta é o número de eleitos que consigam sentar-se no parlamento. A ser assim, bastar-lhe-ia engavetar três dos eleitos de Alawi para garantir o direito de formar governo.
Mas mesmo que o truque funcionasse, só poderia traduzir-se em algo de útil caso Sadr lhe concedesse posteriormente o apoio necessário no parlamento. Por razões de todos conhecidas, é razoável supor que Sadr só apoiará Maliki para melhor o esquartejar, de preferência depois de o mandar enforcar, empalar e cremar. Não quero com isto dizer que Sadr ponha de lado um acordo de viabilização, é suficientemente cínico para usar a situação como melhor lhe convier, se possível fazendo de conta que a idéia não é sua. Talvez por isso tenha decidido organizar um referendo informal para saber quem é que os iraquianos achavam mais apto como primeiro-ministro, mas a artistada falhou, porque nesse referendo Maliki e Alawi nem para chefes de banda conseguiram votos, o que deixa nos ombros de Sadr toda a responsabilidade pela escolha. Azar.
Que se vai seguir ? Bom, até Agosto a coisa tem de estar resolvida, e parece consensual que se Maliki persistir em bloquear as instituições com truques de secretaria o assunto poderá ter de ser resolvido através da guerra civil. Resta assim acreditar que o novo tutor do país, o Irão, preferirá garantir para já a estabilidade no interior do Iraque, algo que poderá mais tarde ser facilmente invertido, caso as circunstâncias venham a aconselhá-lo. E se as contas não me falham, esse cenário poderá colocar-se em meados de 2011, caso o processo de independência palestiniano avance com apoio norte-americano. Tit for tat.

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