O Iraque parece mergulhar em novo ciclo de morte, agora que as tropas imperiais se retiram e os vazios vão sendo finalmente preenchidos.
O dia de hoje foi severo... A violência política causou mais 150 mortos e 600 feridos, um prenúncio do que está para vir.
Ao ler a lista das localidades afectadas pelos incidentes, chamou-me a atenção um nome, o de Tal Afar.
E recordei-me: há cinco anos atrás, esta criança perdeu ali os pais, literalmente despedaçados por rajadas de metralhadora das tropas de ocupação, no meio da violência em que o Iraque estava então mergulhado.
Não sei, mas imagino, que os eventos de hoje tenham lhe suscitado novas perguntas, agora que é adolescente. E tal como há cinco anos atrás, não saberá a quem deve colocar essas perguntas.
Com uma displicência notável, colaborámos na destruição do Iraque, sem por um momento pararmos para pensar que a guerra nada produz senão isto. Talvez valha a pena, neste país alegadamente cristão, reflectir e decidir sobre quem, dentre nós, irá responder a esta e a todas as outras crianças, adultos e velhos, cujas vidas nos pareceram e parecem ter um preço muito baixo.


3 comentários:
Link: http://www.independent.co.uk/news/media/photographer-chris-hondros-how-i-captured-iraq-790432.html?action=Popup&ino=6
A foto viria a ser distinguida com o prémio Robert Capa do Overseas Press Club. Título: "One Night on Tal Afar"
E o irmão, Rakan, de 11 anos na altura e que ficou paraplégico, foi tratado nos EUA, e regressou ao Iraque apenas para morrer com uma bomba colocada em sua casa, três anos depois: http://www.boston.com/news/local/massachusetts/articles/2008/08/03/the_end_of_rakans_war/
E o conjunto completo de imagens: http://news.bbc.co.uk/2/shared/spl/hi/picture_gallery/05/middle_east_shooting_in_tal_afar/html/11.stm
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