Mark LeVine espanta-se, na Al Jazeera, com a ausência de sinais de revolta perante o manancial de provas de abuso publicadas pelo Wikileaks. Bom, não será na verdade esse espanto que é espantoso ?
Os cidadãos ocidentais ( pelo menos ) vivem sob um regime de administração de informação por via intra-venosa baseado no sensacionalismo simplista, não na reflexão e muito menos na apreciação de grandes volumes de dados. E se as centenas de milhar de registos publicadas pelo Wikileaks podem fazer as delícias dos activistas mais laboriosos, para todas as restantes almas os problemas desta natureza tornam-se enfadonhos em três tempos, graças a dois pequenos pormenores...
Por um lado, a banalização crescente das abordagens éticas, que, cada vez mais semelhantes ao fast-food, se apresentam ao consumidor numa embalagem com prazo de validade curto, a das causas. Incapaz de qualquer elaboração teórica, o pobre cidadão é solicitado para uma sequência infindável de acções desconexas, e cedo se fatiga e retorna à Playstation. Conviria a qualquer activismo ter presente que o sucesso exige um empenho de longo prazo, não um flirt. E esse empenho de longo prazo só pode ser obtido num quadro ideológico minimamente abrangente e credível, coisa que por ora não abunda por estas bandas.
Por outro lado, a sempre presente cumplicidade. Estamos perfeitamente acomodados à idéia de transferir para o estado o direito ( e a culpa, quando a coisa corre mal ) de executar as tarefas sujas que se mostrem adequadas à defesas do nosso status. Quaisquer que sejam essas tarefas sujas. Sim, representamos a cena da virgem ofendida quando nos mostram os aspectos mais cruéis, mas limitamo-nos a bocejar quando se trate de aspectos meramente cinzentos. São muitos séculos de prática...
Por um lado, a banalização crescente das abordagens éticas, que, cada vez mais semelhantes ao fast-food, se apresentam ao consumidor numa embalagem com prazo de validade curto, a das causas. Incapaz de qualquer elaboração teórica, o pobre cidadão é solicitado para uma sequência infindável de acções desconexas, e cedo se fatiga e retorna à Playstation. Conviria a qualquer activismo ter presente que o sucesso exige um empenho de longo prazo, não um flirt. E esse empenho de longo prazo só pode ser obtido num quadro ideológico minimamente abrangente e credível, coisa que por ora não abunda por estas bandas.
Por outro lado, a sempre presente cumplicidade. Estamos perfeitamente acomodados à idéia de transferir para o estado o direito ( e a culpa, quando a coisa corre mal ) de executar as tarefas sujas que se mostrem adequadas à defesas do nosso status. Quaisquer que sejam essas tarefas sujas. Sim, representamos a cena da virgem ofendida quando nos mostram os aspectos mais cruéis, mas limitamo-nos a bocejar quando se trate de aspectos meramente cinzentos. São muitos séculos de prática...
Precisaríamos de reflectir sobre a campanha imperial no Iraque, dado que o rasto será visível ao longo de todo este século, demasiado visível. Mas até ao momento não o fizemos, e a overdose de brejeirices a la Wikileaks acaba por nos afastar ainda mais dessa reflexão.

Sem comentários:
Enviar um comentário