Eu, federasta me confesso.

Replicava por vezes desta maneira há uns anos atrás, nas inúmeras discussões no pt.soc.politica em que os defensores da união política plena eram invariavelmente mimados com insultos.
E a frase veio-me à memória mais uma vez, ao assistir à participação de Luís Amado no Olhos nos Olhos de hoje.
Na verdade, o ponto de situação que este fez corresponde quase ponto por ponto ao que naquela altura era já a hipótese mais plausível, a de uma UE que mais tarde ou mais cedo se veria confrontada com uma reorganização planetária do sistema económico que implicava o seu declínio rápido, sem estar dotada dos meios políticos para conter as forças centrífugas que inevitavelmente surgiriam.
E a maturidade ( incluindo alguns sinais de fraude ) do raciocínio exposto por Luís Amado, como já aconteceu com declarações recentes de outros personagens tão ou mais sinistros, leva-me a concluir mais uma vez que as hipóteses plausíveis foram de facto analisadas em devido tempo.
E é curioso que todas essas libertações a conta-gotas dos aspectos mais relevantes sempre chutam para canto a dad altura, como se as implicações subsequentes não existissem.
Desta feita tivemos a oportunidade de ver a apresentação de duas linhas cosméticas distintas, o que não é habitual... De um lado, Luís Amado com uma visão idílica que se inevitavelmente se realizará quando, depois de consumada a união de facto ( uma vez que ele passou a certidão de óbito ao casamento federasta ) entre os europeus desavindos, estes se sentarão à mesa com chineses e americanos para estabelecer um entendimento de longa duração para partilha do lago plácido que sucederá ao mar revolto do reajustamento planetário. Do outro lado, Medina Carreira, cada vez mais enquistado na numerologia, brandindo o espectro do bicho-papão da energia e de um desejo mal contido do proteccionismo que nos há-de salvar.
Parecem-me ambos entender-se num ponto que não referem, o da rejeição da possibilidade de o sistema económico ser um jogo de soma zero. Gostaria de poder partilhar desta fé, mas infelizmente suspeito que, quando observada num espaço de tempo suficientemente largo e numa escala global, a economia de mercado faça quá-quá, bata as asas e tenha um bico tão achatado como um jogo de soma zero. Ou pior.
Em qualquer caso, enquanto espero por mais revelações fantásticas sobre como chegámos aqui e sobre o que nos espera, vou insistindo no meu federastismo.
A união política plena dos membros da UE é um instrumento crucial, independentemente dos projectos de direita ou de esquerda que possa começar por servir. E deveria ser reclamada a plenos pulmões pelos povos da Europa.