O flato do urso

Com a desagregação da URSS, não ocorreu um retorno massivo dos cidadãos russos. Para os países de charneira, a situação resultou delicada, pois deixou à Rússia a possibilidade de legitimar intervenções militares com base no direito de defesa dos seus cidadãos.
Ciente dessa vantagem, a Rússia não se tem preocupado muito em trazer de volta os seus concidadãos. Ao contrário, sempre que necessário tem vindo a incrementar por via burocrática o seu peso nalgumas regiões desses países, emitindo passaportes com grande generosidade. Aconteceu na Ossétia, acontece agora na Crimeia.

Manter os problemas em banho-maria não é necessariamente uma boa solução, porque alguns há que não morrem de tédio.
Neste caso concreto, o cenário está montado há anos, e era previsível que a reconstrução política da Rússia lhe permitisse reconstruir também o poder de imposição de soberania limitada na sua zona de influência, e a questão da cidadania só vem facilitar este movimento.
Nada que não soubéssemos, recordemos que há 60 anos atrás houve um senhor de bigodinho que se fartou de usar o expediente com excelentes resultados.

Na Europa, sabemos do interesse russo em ambas as vertentes do Cáucaso. Sabemos ainda da importância da estabilidade da Geórgia na garantia da nossa trémula independência energética.
Não sabemos muito mais... Mas há quem saiba, apesar de tudo. É o caso dos turcos, bastante empenhados em levar as tubagens até ao Irão, já que as de Tblissi se arriscam a ficar vazias até ao dia do juízo final.

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