A montanha pariu um átomo ?
Batman e Robin amuam
Na relação quase edipiana entre o ex-presidente Putin e o filho de Putin que de momento assegura a presidência, Medvedev, há também espaço para momentos de aconchego.
Juntinhos, rebelam-se agora contra a etiqueta de Batman e Robin que os diplomatas americanos lhes pespegaram. Que bem lhes fica o amuo...
Wikiloucos
Um frenesim. Amazon, EveryDNS, agora a PayPal ...
Esta é a minha terra bem-amada
Asia Despatch, finalmente
Overdose
Por um lado, a banalização crescente das abordagens éticas, que, cada vez mais semelhantes ao fast-food, se apresentam ao consumidor numa embalagem com prazo de validade curto, a das causas. Incapaz de qualquer elaboração teórica, o pobre cidadão é solicitado para uma sequência infindável de acções desconexas, e cedo se fatiga e retorna à Playstation. Conviria a qualquer activismo ter presente que o sucesso exige um empenho de longo prazo, não um flirt. E esse empenho de longo prazo só pode ser obtido num quadro ideológico minimamente abrangente e credível, coisa que por ora não abunda por estas bandas.
Por outro lado, a sempre presente cumplicidade. Estamos perfeitamente acomodados à idéia de transferir para o estado o direito ( e a culpa, quando a coisa corre mal ) de executar as tarefas sujas que se mostrem adequadas à defesas do nosso status. Quaisquer que sejam essas tarefas sujas. Sim, representamos a cena da virgem ofendida quando nos mostram os aspectos mais cruéis, mas limitamo-nos a bocejar quando se trate de aspectos meramente cinzentos. São muitos séculos de prática...
A casa da Mariquinhas
The conference
Well, probably not so drastic, but this conference is much valuable, irrespective of its sponsor's intentions. Indeed, at this critical point, the age-old game of pretending that jews around the world had no say about israeli policies is over, as the conference publicly aims precisely at fine-tuning positions of the jewish communities as a whole.
Citizenship required
Iran, a year later
But soon, there was an unmistakable sign that the euphoria wasn't based on a sound assessment of the correlation of forces between the distinct groups. An appeal to a general industrial labourers strike clearly failed, revealing a significant difference in class perceptions and aims, and therefore a united front couldn't be built. At the same time, the armed forces clearly opted to stay out the game. From then on the opposition was objectively isolated, and at that point it would have been wiser for it to move more carefuly and avoid a needless exposition of its most vocal and idealist young elements. A few warnings came out, but went unnoticed or were simply ignored.
The rest is well known... Increasingly, the movement had to rely on the dubious support of dissenting sectors of the establishment, which had neither the will, and probably neither the power, to engage in a deep change of the foundations of the islamic republic.
One could say that even without major economic troubles, the iranian regime is pregnant with its own killer. No doubt, development needs can't be fulfilled without the education of larger and larger segments of iranian youth. And with it, inevitably, as the resulting middle class grows, so will grow its claims and its strenght, increasingly destabilizing the regime. But this dynamic alone won't produce effects in less than 10 to 15 years.
Fortunately, many cracks developed at the establishment elites during the last year. And as the winning faction seems to rely more and more on a closed oligarchic model, with negative impact on the country governance, it becomes acceptable to expect a social crisis more sooner than later.
Whose fault ?
For many years, the EU has been pushing Turkey away. Not the action of an isolated imbecile, but of the entire generation of political retards that currently lead the union.
So, no surprise as Turkey finally understood it was simply being humiliated and began to reassert its position among its former vassals, under a new mindset, with astounding success.
But, surprise, surprise, everybody now turns into a sour mood, as we become aware of the side effects of this strategic shift... Turkey, a NATO member, is about to turn decidedly against the western world, and there's nothing we can do to avoid it.
Meanwhile, where are the europeans looking at ? Soccer games ?
E agora, Messias ?
Destaco neste post o coelho que a Turquia e o Brasil tiraram da cartola. Depois de uma negociação relativamente curta, conseguiram o muito desejado acordo do Irão para o enriquecimento final do seu urânio no exterior, na quantidade pretendida.
E aqui começa a balbúrdia... Afinal de contas, a quantidade pretendida sê-lo-ia há um ano atrás mas hoje pode ser considerada modesta, dado que o Irão não parou o seu processo de enriquecimento ao longo de todo este tempo.
Bom, vejamos as coisas pelo lado positivo, tanto a Turquia como o Brasil confirmaram a sua vontade de assumir na cena internacional o papel de relevo que merecem, mesmo que neste caso em concreto acabem por ser pouco mais que idiotas úteis.
E esta postura teve dois efeitos que apenas contribuem para descompor ainda mais o ramalhete... Por um lado, descredibilizou a propalada abertura dos EUA aos processos negociais, por outro apareceu como um puxão de orelhas aos dois tirocinantes que tiveram a ousadia de se armar em gente crescida, em particular o Brasil, cuja vontade de liderança não se ficou pela América Latina.
A administração norte-americana parece não ter noção clara do brilhantismo iraniano no jogo diplomático, e isso começa a tornar-se realmente perigoso. Esgotados os bluffs, os EUA estão a colocar-se na posição pouco invejável de ter de avançar unilateralmente para um conflito armado cujos objectivos não conseguem sequer definir.
Antes de quaisquer outras asneiras, portanto, seria interessante reflectir sobre dois aspectos muito importantes nesta década histórica...
O primeiro é a perda definitiva por parte do Ocidente da sua capacidade de influir unilateralmente sobre os assuntos internacionais através de ferramentas económicas e alianças políticas, o que lhe deixa disponível, tão-só, a capacidade militar. O segundo, o da avaliação da real capacidade militar convencional, tendo em conta que os factos têm vindo a demonstrar a existência de limites muito mais estritos do que se julgava. À manutenção do que resta da ordem imperial pode a breve trecho restar apenas o nuclear.
Everybody Draw Mohammed Day
Ora, tal como já tinha acontecido na Europa, a tentativa de intimidação da equipa do South Park colocou em cima da mesa o direito à liberdade de expressão, que é um dos poucos valores que considero indiscutivelmente defensáveis no legado cultural desta civilização ocidental que me formou.
Tal Afar. Outra vez.
ISO 1974
Acordei com um estrondo.
Sei que não é bonito começar o dia rogando pragas, mas interromperam-me um sonho interessantíssimo, por sinal o último episódio de uma série espectacular...
Ocorreu-me pegar no carro e passá-los a ferro, mas mudei de idéias quando vi que se faziam acompanhar de escolta policial armada.
Creio que se trata das comemorações da revolução ISO 1974, mas fico curioso, que revolução é essa que se faz acompanhar de escolta policial ? Pergunto-me o que na verdade comemorará esta gente... A vitória póstuma de Caetano ?
Revoluções não se comemoram, fazem-se. São como trovoada refrescante, manifestação épica de vitalidade. E quem, no seu perfeito juízo, comemoraria uma qualquer trovoada, espetando medalhs no peito de relâmpagos há muito apagados ?
Nothing personal, just business
The task won't be easy, I'm affraid. It will be your responsability to manage the negotiations with Israel, on behalf of the palestinian people. You're expected to, as a bright professional, do your best to defend your constituents rights. It will be a demanding task, but I'm sure you'll give your israeli opponents a hell of a fight. From the Balfour abusive declaration to today's apartheid regime, you'll easily find abundant material as proof of persistent denial of your constituents self-determination rights.
Before handing you the task, however, I'm affraid I'll have to ask you to publicly describe the strategy you intend to follow to achieve the final goal, which is the establishment of an independent and viable palestinian state, side-by-side with Israel. No, no, sorry but a simple diagram drawn in the sand won't do. Unfortunately, many of the co-sponsors of this project unfairly doubt your capability. So, they demand a full description of a credible strategy before investing their precious dollar.
You could begin by the moral values at stake. An easy introduction which will certainly stimulate your reasoning before you get to the tough issues. And you know those tough issues... Settlements, water, territorial contiguity and the fine details of border definition, Jerusalem, the refugees ( don't forget to take into account that we're talking about a total figure of roughly 8 million persons, 4 million in the ghettos and 4 more in the neighbouring countries ) ...
Oh, and don't forget to include a paragraph or two on the security guarantees you believe Israel should provide. We don't want the new country to be invaded every six months, do we ?
Do you feel up to the task, Mr. Dershowitz ?
Clarificação
Está aberto o espaço para, a pretexto desta crise violenta, os católicos abrirem então uma discussão franca sobre tudo e mais alguma coisa.
Interesseira ou desatenta, a igreja católica tem vivido num mundo de fantasia que apenas a distrai. E o que o cardeal Policarpo sugere, se bem entendo, é que se reorganizem as hostes para que no fim se perceba o que efectivamente sobrou da Europa católica e se assuma com humildade prática o lugar que daí resulte. Não porque uma muito provável retracção signifique uma derrota. Significará apenas o fim de um ciclo demasiado extenso, em que parte substancial da influência da igreja católica adveio do facto de se ter encavalitado com sucesso em muitos dos poderes terrenos. Uma teia bem construída, que lhe proporcionou inúmeros benefícios mas que pode causar-lhe uma morte penosa à medida que a cada nova crise essa existência de favor se torna mais difícil e que, onde julgava ver fiéis, vai percebendo que há afinal adversários.
O processo será decerto rápido, porque já foi desperdiçado tempo, mas espero que a igreja católica não ceda à tentação dum simples aggiornamento. Na verdade será necessário que vá mais longe, pois se podemos ir prescindindo dos deuses, não podemos prescindir da ética e talvez esteja aí o novo lugar dos católicos, com muito ou pouco clero, com muitos ou poucos fiéis. Uma voz que não sendo necessariamente seguida possa pelo menos ser firme quando se fizer ouvir.
Fumo negro
E quando penso no dano que isto pode causar, não ao clero mas às vidas até aqui bem ancoradas de toda essa gente, fico deprimido.
Holger Czukay
Verão quente iraquiano
Mas atingiu-se ali um momento de pausa constrangida, potencialmente histórica. Lembrar-se-ão alguns de há uns anos ter sugerido que o grande confronto entre os distintos sectores iraquianos só poderia ocorrer finda a ocupação. Pois creio que se aproxima esse momento, quando os soldadinhos imperiais finalmente se preparam para ir abater pessoas noutras paragens ( não muito distantes, quem sabe ).
Uma arrumação com o seu quê de surpreendente, já que Maliki vinha apertando passo a passo as rédeas do poder e parecia ter há uns anos mandado Sadr de volta para o infantário. Triste sina. Maliki, com todas as batotas que fez e as que fará ainda, não conseguiu senão o segundo lugar.
Por último, o anafadinho Sadr. Depois de atacado sem dó nem piedade pela velha guarda do SCIRI/ISCI, aproximou-se dele para melhor o cilindrar, ficando com a parte de leão dos lugares da coligação e tornado-se automaticamente no ponto focal do sistema político, já que, com apenas dois lugares de diferença entre Alawi e Maliki, acaba por ser Sadr a decidir quem vai governar o país.
On the killing of Reuters employees
For those interested, there's a Scribd upload of a document announced as the internal investigation report.
Interesting that some are now turning to the van as evidence of a war crime.
Só quando elas mordem ?
E se há teatro de guerra em que isso é bem notório é o do Iraque, onde sistematicamente os media silenciaram os aspectos mais negros, refugiando-se no eufemismo dos critérios editoriais.
Pelos vistos, só quando os alvos são funcionários dos media ( e neste conflito em particular deve dizer-se que a Reuters teve a sua dose ) é que valem o esforço de alguma insistência na quebra das restrições militares. No caso agora relatado, nem se percebe muito bem a indignação. Trata-se de um grupo em que alguns indivíduos estão claramente armados, e nesse contexto não espanta que o material que os jornalistas trazem a tiracolo acabe por passar também por armamento. A sequência é semelhante a muitas outras, em que uma força avalia a situação durante algum tempo, relata-a em seguida aos superiores e abre fogo depois de autorização clara nesse sentido.
Neste caso, ao contrário de outros, tratou-se claramente de um erro de avaliação que, objectivamente, só acabou por ser desfeito quando se percebeu que havia duas crianças entre as vítimas.
Aprecio o trabalho da Reuters e de outras agências cujos repórteres pagam por vezes com a vida o nosso direito à informação.
Mas apreciaria muito mais que a informação referente a situações bem mais graves que esta tivesse tido o relevo adequado.
O padre canta-missas
Para quem assiste à distância, isto vai-se tornando patético. Quase apetece sugerir que mudem a designação social para Igreja da Sagrada Deflecção, depois das inúmeras tentativas de atirar a culpa para cima dos outros, sejam eles os maçons, os protestantes, o New Your Times, os ateus, o Elvis ou essa entidade misteriosa e omnipresente que dá pelo nome de 'Eles'.
Importa esclarecer, para benefício dos crentes europeus mais tetanizados pelo cenário fantasioso em que gostam de viver, que esta história já se desenrola há anos de forma bem visível na Irlanda e nos EUA, pelo que não se percebe muito bem o porquê da surpresa virginal que tomou os crentes agora que o assunto aparece exposto à luz do dia na Europa.
E o que está em causa, afinal ?
No fundo, uma máquina dotada de um poder imenso, que não se coíbe de pregar normas aos crentes e aos não-crentes, foi apanhada pela transformação dos costumes sem ter a flexibilidade para reagir atempadamente. Durante séculos e séculos, os abusos agora denunciados foram socialmente tolerados, suscitando apenas leve reprovação. Não custa por isso perceber que o clero se tenha habituado a resolver os eventuais incómodos pela simples ocultação.
Mas a sociedade ocidental mudou muito nas últimas três ou quatro décadas, e comportamentos anteriormente tidos como mero sinal de alguma fraqueza passaram a ser considerados crimes, à medida que a atenção se concentrou nas vítimas desses comportamentos.
E sem que se desse por isso, a ocultação conveniente transformou-se em cumplicidade no crime. Talvez o clero católico não tenha percebido em devido tempo que tinha de fazer algo, rápida e decididamente. Ou talvez tenha percebido a dimensão da tarefa que tinha pela frente. Certo é que o problema já vinha sendo tratado com atenção crescente, como parece indiciar a actividade passada do cardeal Ratazaninger.
Mas foi pouco, tardio e lento. E quando o dominó começou a cair, o clero acabou por ser apanhado de calças na mão.
Soluções ? Desde logo, o clero deveria deixar-se de pieguices. Tem uma tremenda responsabilidade moral em todo o planeta, uma responsabilidade que constantemente apregoa, não pode agora dar-se ao luxo do relativismo. Tem de cooperar activamente no levantamento dos abusos e, como dizia ontem frei Jerónimo, simplesmente remover os culpados das actividades sacerdotais, ponto final.
Será o bastante ? Bom, seria justo que às vítimas fosse em todas as circunstâncias facilitado o recurso à via judicial, para que possam fazer valer os seus direitos se assim o desejarem.
E depois disso, talvez seja interessante o clero virar-se para os seus processos de formação... Os comportamentos predatórios não caem do céu, e se a regra do celibato pode nalguns casos explicar alguns desses comportamentos, outros haverá que talvez tenham origem no estranho modo de vida que envolve a preparação dos clérigos. Muito antes de se colocarem a si próprios a questão do celibato.
Viúvas negras
Um ou dois dias depois, Dudayev declarava a secessão.
Recomeçou então o inferno nesta região de charneira, repetidamente violentada ao longo da história e sujeita à ocupação russa desde há dois séculos, uma ocupação particularmente brutal cujo episódio mais grave seria o da deportação massiva da população às ordens de Estaline.
Dir-se-ia que com a queda de de Mashkadov e a posterior ascensão e solidificação do poder do pró-russo Kadyrov, a Europa podia fazer de conta que nada se tinha passado, que a Chechénia era um problema interno russo que não suscitaria reparos desde que se mantivesse longe das câmaras.
Os cidadãos europeus apreciam estas soluções.
Mas os incómodos mantiveram-se, primeiro com o assassinato de Kadyrov, que a Rússia rapidamente substituiria pelo seu filho Ramzan, líder de uma milícia pouco recomendável. Tão rapidamente que o rapaz teve de aguardar uns anitos até atingir a idade legalmente admissível para ocupar a presidência. Depois, com episódios como o teatro de Moscovo, Beslan, ou os assassínios de Mashkadov e Politkovskaya, numa altura em que tentavam acordar com o Conselho da Europa uma solução política.
Talvez seja difícil... Se os atentados em Moscovo demonstram ( a quem não acompanhe o que se vai passando na Chechénia ) que a guerrilha chechena está viva, os do Daguestão, tal como já acontecera em Beslan, são a ponta do véu de um um cenário que se vem montando de há meia dúzia de anos para cá, o do lento alastramento da instabilidade ao conjunto das repúblicas do norte do Cáucaso.
A este alastramento, irá a Rússia certamente responder com um novo banho de sangue, pois Putin não pode arriscar apresentar-se às próximas eleições com um fracasso entre mãos, anos depois de ter garantido que o problema estava resolvido.
Mas não se apoquente o senhor Putin, pois do lado russo está bem alicerçado no racismo, e do lado europeu, passada a primeira comoção, pode contar com o silêncio habitual dos cidadãos.
Se o leitor nunca se tiver preocupado em tentar obter documentação sobre o que se tem efectivamente passado naquela zona nos últimos vinte anos, escusa de o fazer. Essa documentação existe, mas a sua observação resulta dolorosa, talvez demasiado dolorosa.
Permita-me que lhe sugira antes uma versão um pouco mais leve. Trata-se de uma reportagem algo extensa e já antiga ( produzida na altura do assassinato de Kadyrov ), legendada em inglês, que o irá ajudar a perceber porque existem mulheres jovens a quem chamam viúvas negras, e porque estão decididas a despedaçar-se levando consigo o maior número possível de vítimas que gostaríamos de poder catalogar como inocentes.
Statehood
The Obama administration, although weak, is the much needed narrow window of oportunity for the establishment of an independent and viable two-state solution, based on the 1967 borders, as proposed in the saudi plan and commonly accepted nowadays by the international comunity.
The stalled negotiation process, to this end, is not important, as Israel's sole purpose would be the continuation of an endless and meaningless fake.
The Fayyad plan is steadily developing, and there could be no better measure of that than the alarm in the israeli press. In fact, the PA is delivering, and strangely, so is Hamas. In the meantime, Israel, thanks to Bibi and the resolute shift to the right of israeli voters, is fast becoming irrelevant.
But there are two important points where the entire process could collapse...
The first one is the continuing incapacity of Fatah and Hamas to find an agreement, a situation Israel can easily exploit to the point of fomenting a civil war among palestinians.
The second one based on ethical issues... The declaration of independence will probably be issued during Obama's first term. If Obama agrees with it, his prospects for a second term will simply disappear, as the pro-zionist lobby in the US ( including christian evangelists ) will never forgive him. So, the question is, will Obama do the right thing, whatever the consequences for himself, or will he bow to the boer supporters in exchange for a guaranteed shiny new second term ( and they certainly will make him the offer ) ?
De profundis
Depois da humilhação de Biden, não causou espanto a atitude conciliatória de Netanyahu, que no dia seguinte já considerava o problema quase sanado. O que causou espanto foi a agressividade das reprimendas de Biden e Hillary Clinton, que alguns consideraram desproporcionadas.
Mas, para apreciar devidamente o palco em que esta dança tem lugar, há que incluir um artigo da Foreign Policy que traça os passos dados até se chegar a este ponto...
Nela é mencionado um relatório do general Petraeus ( responsável por quase todas as forças norte-americanas presentes no Médio Oriente ) apresentado em Janeiro ao almirante Michael Mullen, que pinta um quadro negro sobre o descrédito generalizado dos EUA nos países integrados no seu comando, percebidos na zona como demasiado débeis para que possam conter Israel, um desequilíbrio com potencial reflexo no estatuto das tropas americanas nesses países.
Numa nota mais pessoal, o próprio Mullen seria percebido como 'demasiado velho, demasiado lento e demasiado atrasado'.
De seguida, Petraeus terá solicitado a transferência de Gaza e da Cisjordânia do grupo de comando europeu para o CENTCOM, de forma a poder demonstrar ao mundo árabe uma intervenção mais activa naqueles territórios, mas o pedido foi rejeitado.
O alarme causado pelo relatório terá sido no entanto suficiente para que a Casa Branca tenha incumbido Mullen de transmitir pessoalmente ao general Gabi Ashkenazi um aviso claro de que Israel deveria olhar o conflito com os palestinianos no contexto regional, uma vez que o assunto estava a ter um impacto directo no estatuto dos EUA na região.
A posterior humilhação de Biden ganha contornos mais graves neste contexto, pelo que se torna mais fácil perceber a violenta reacção do governo norte-americano, já que, como diz o articulista, embora o lobby judaico esteja entre os mais fortes dos EUA, não é mais forte que o lobby militar, e este começa a ficar demasiado agastado com a ligeireza com que se está a colocar em risco a segurança dos soldados norte-americanos espalhados por todo o território, do Golfo ao Afeganistão.
A réplica
De acordo com uma notícia do Haaretz, relatando uma reunião do corpo diplomático israelita nos EUA, a administração norte-americana terá colocado quatro exigências a Tel Aviv, a saber:
1. Investigação do processo que conduziu ao anúncio do plano de contrução em Jerusalém Leste, para que se possa determinar se se tratou de um erro burocrático ou de um acto político deliberado;
2. Revogação do plano de construção;
3. Sinalização clara de interesse na retoma do processo negocial, seja pela libertação de centenas de prisioneiros, recuos adicionais de tropas do IDF na Cisjordânia e entrega dessas áreas ao controle palestiniano, alívio no bloqueio de Gaza e remoção adicional de postos de controle rodoviário na Cisjordânia;
4. Emissão de um anúncio oficial de que as conversaçãos, mesmo se indirectas, tratarão de todos os aspectos centrais do conflito, nomeadamente as fronteiras, os refugiados, estatuto de Jerusalém, entendimentos sobre segurança, utilização de recursos hídricos e colonatos.
Não sabemos como isto veio a público. Mas se juntarmos outros sinais, pouco ou nada diplomáticos, podemos verificar que a crise é séria, ao ponto de colocar Obama na posição de emitir um quase-ultimato ao governo israelita.
E este jogo de poker tem implicações... O governo norte-americano já foi humilhado várias vezes pelo gooverno israelita e não pode deixar de retaliar, sob pena de ver a sua credibilidade ainda mais abalada, e creio que é nessa medida que os quatro pontos citados devem ser entendidos. Resta então saber se Tel Aviv se resigna ao seu cumprimento ou insiste na humilhação da potência protectora. Se optar pela segunda via, será interessante ver quem cai primeiro, se Obama se Netanyahu... Estamos neste ponto.
E vai mais um prego
Coisa de somenos importância, o futuro da UE não excita muito os media nacionais.
Portanto, acabamos por saber por outros aquilo que nos afecta.
E desta vez é a Al Jazeera a informar-nos que também a Suécia passou uma resolução parlamentar acusando a Turquia de genocídio no caso das chacinas dos arménios.
Mais uma vez, a Turquia mandou regressar o seu embaixador.
Mais uma vez, alimentou-se um círculo vicioso que vai tornando mais remota a possibilidade de integração na UE.
Mais uma vez, a demência somou vitórias no clube das velhotas cristãs.
Tudo ou nada
A orquestra política dos boers israelitas parece ter afinado os instrumentos, concentrando-se numa nova estratégia baseada na afirmação unilateral dos seus interesses, qualquer que seja o possível impacto na comunidade internacional.
Depois do embaixador turco, foi agora a vez do vice-presidente norte-americano ser publicamente humilhado, com requintes.
A deslocação de Biden começou de forma promissora para o bom relacionamento entre os dois países e para a retoma do processo negocial entre israelitas e palestinianos. Mas logo a seguir, a derrocada. O ministério da administração interna anunciou os planos para a construção de 1.600 fogos em Jerusalém Leste.
Biden deverá ter ficado lívido perante a afronta, e reagiu imediatamente com o que tinha à mão, fazendo Bibi esperar 90 minutos para o jantar, e aproveitando-o para condenar abertamente a iniciativa.
Ao mesmo tempo, o Haaretz anunciava estar em curso um plano de construção de médio prazo mais vasto, envolvendo cerca de 50.000 fogos na mesma zona, 20.000 dos quais já em fase de aprovação.
À medida que as notícias corriam mundo, o universo diplomático foi-se agitando como um formigueiro e gerando manifestações de desagrado um pouco por todo o lado, incluindo a cautelosa Europa. Mas mais interessante que isso é a incidência dos media, incluindo os israelitas, na caracterização dos factos como ume um insulto planeado destinado a descredibilizar os EUA, na pessoa de Biden.
Seja qual for a leitura, parece ter ficado definitivamente assente que Israel não tenciona acolher a visão de dois estados independentes e viáveis.
Já não há sequer a preocupação de manter sempre activa uma qualquer fantasia negocial para ir entretendo os pacóvios enquanto se vão criando os factos no terreno, o que constitui uma alteração radical da política seguida ao longo de décadas.
Porquê esta sucessão de provocações ? Bom, porque para já vão compensando. Para os boers de colheita tardia, a evolução recente dos factos e o impacto resultante nas idéias da comunidade internacional sobre o assunto fez surgir no horizonte a indicação de que os tempos da cumplicidade ocidental estariam a chegar ao fim.
Resta por isso pouco tempo para garantir a conclusão desta fase do projecto sionista, pelo que vale a dar um salto em frente e apostar na paralisia da potência protectora, mesmo que isso custe um arrefecimento sério das relações. Na verdade, a capacidade de manobra da potência protectora é muito reduzida, seja pelo peso do lobby judaico no seu interior, seja pela incapacidade de desenhar um quadro estratégico alternativo.
Todos o sabem, mas também todos sabem que esta deriva vai forçosamente desembocar numa nova guerra, num momento de crise que se estende até ao Paquistão, em que não é possível prever com um mínimo de rigor quais os actores, qual o grau de envolvimento ou qual o desenlace.
Os primeiros sinais, quer dos EUA quer da UE ou da própria Rússia, apontam para o reconhecimento da necessidade de uma travagem rápida dos desmandos dos boers, antes que todo o Ocidente se veja envolvido numa crise grave.
Mas, depois de tantos anos a sugerir aos boers que, façam o que fizerem, terão sempre as costas quentes, dispõe o Ocidente dos meios para travar o processo ? Ou é demasiado tarde ?
O morto
Percebe-se a decisão.
Com 51 anos, especializado numa área sem alternativas profissionais, ao professor caberia aguentar mais catorze anos de provação sem qualquer apoio institucional, sabendo que essa provação seria mais impiedosa à medida que o avanço da idade o fosse debilitando.
Encurralado como um rato, a decisão foi correcta.
Segue-se um inquérito ou dois, vem um patetinha de carreira à televisão sussurrar conveniências e amenidades, apela-se à tranquilidade por amor às criancinhas, a poeira assenta e tudo fica na mesma.
Esquecemos esta culpa imensa de uma sociedade que, egoísta ao ponto de se ter tornado incapaz de cuidar dos seus filhos, os despeja como lixo nas escolas, esperando que alguém os aguente até que por milagre ou decreto se tornem adultos.
Esquecemos esta traição ao corpo de docentes, cuja missão sagrada de transmissão do conhecimento se vai perdendo, transformada numa degradante luta diária pela dignidade.
Matámos este homem. Um aborrecimento, mas felizmente demasiado distante para que tomemos consciência deste acto.
Prego a prego
Al Fu Manchu
Oportunidade
Podemos estar a passar por um desses momentos, se soubermos dar-lhe a relevância que merece. Se as alegações forem correctas, esta é uma das raras circunstâncias em que o abuso de poder aparece suficientemente documentado para que acabe por produzir efeito, seja por acção ou por omissão.
Estando em causa um potencial abuso sério, o regime poderia aproveitar o momento para reconstruir alguma da credibilidade perdida depois de algumas décadas de práticas duvidosas.
Fazê-lo não é complicado, basta uma comissão parlamentar de inquérito que produza conclusões baseadas num trabalho de investigação objectivamente sério. Caso se apure que o alegado plano existiu de facto e contou com o envolvimento do PM, então este deverá demitir-se. Daí não virá grande mal ou crise de governabilidade, pois nessa situação o PS pode e deve ser convidado a apresentar um novo PM e um novo governo.
Fazendo-o, mostraria sentido de estado.
Baradar
Note-se que há aspectos divergentes na apreciação do seu estatuto corrente. Do lado da estrutura hierárquica dos Taliban a sua aura talvez rivalize demasiado com a do mullah Omar. Do lado paquistanês, não deve ter caído muito bem o seu pendor para causar distúrbios com os xiitas e, consequentemente, minar ainda mais a frágil situação interna no Paquistão.
No curto prazo, a desactivação deste estratega pode danificar a cadeia de comando e facilitar assim a obtenção de resultados mais rápidos na ofensiva de Helmand, o que por sua vez pode abrir caminho para uma solução negociada baseada numa posição menos proeminente dos Taliban. Já não seria nada mau que isso acontecesse, o sucesso dos Taliban ao longo dos anos garantiu-lhes uma posição demasiado forte face ao liliputiano governo de Cabul.
No longo prazo, no entanto, a detenção não implica por si só um grande impacto, uma vez que a estrutura da organização já está adaptada há muitos anos a este tipo de perdas e que não há ameaças sérias ao fenómeno Taliban que, quando muito, continuará a ser alvo de medidas de contenção do lado paquistanês.
Os três pastelinhos e o turco bigodaças
Ainda assim, uma vizinha russa que acabou por, na sua queda, proporcionar alguma comoção e o acolhimento apressado de alguns dos seus afilhados tão subitamente largados na rua. As viúvas chamaram a este alargamento um passo estratégico. Lá terão as suas razões...
Por entre duas chávenas de chá com um farrapinho, as viúvas ainda ponderaram convidar o turco, primo afastado, para os jogos de canasta. Mas nunca se percebeu muito bem se era assunto sério ou leviandade momentânea das velhotas. Agora como antes, a Turquia é Ocidente às segundas, quartas e sextas, e Oriente nos dias restantes, uma situação equívoca e demasiado complexa para as pobres viúvas, cujo cérebro já soçobrou irremediavelmente depois de tanta conversa mole sobre canasta e carapins. Mais tarde ou mais cedo, portanto, o equívoco teria de ser desfeito, de preferência com alguma dignidade. Infelizmente, as viúvas já nem isso conseguiram fazer, preferiram deixar o turco esquecido na soleira, condenado a esfregar os pés incessantemente num tapete áspero que acabou por lhe estragar as solas e a paciência.
Em abono da verdade, deve dizer-se que a maior parte das viúvas não se interessou muito pelo assunto, talvez porque estejam já tão tomadas pelo Alzheimer que nem tenham reparado que a Turquia estava à porta. Mas há três velhotas particularmente fiúzas que não deixaram escapar a oportunidade de meter o seu veneno, por razões distintas. Ratzinger, Merkel e Sarkozy, à conta da cultura ou coisa que o valha, tudo fizeram para espantar o turco.
Bom, imaginemos agora que as viúvas finalmente esticaram, deixando a geração seguinte entregue a si própria... Que cenário enfrenta esta ?
Um problema... Mas não o único problema. Para aguentar por mais algum tempo a ficção, e porque do outro lado do Mediterrâneo as coisas não seguem por melhor caminho, o hábito da importação de mão-de-obra barata deverá manter-se, senão mesmo crescer. E aqui ganha corpo um problema maior, o da lenta invasão por um exército composto pelo escalão mais baixo entre os mais baixos da cintura islâmica. Julgamos conhecer o desenlace, já vimos situações semelhantes no passado, e quando as coisas pioram basta pôr de lado o verniz cultural, apelar ao chauvinismo e ao cacete, correr com os estrangeiros e deslizar para qualquer coisa próxima do fascismo.
E no entanto, tudo poderia ter sido diferente ( e talvez possa ainda sê-lo ). Ao apostar na ocupação da faixa de segurança a Leste, a única coisa que a UE conseguiu foi assegurar a animosidade russa. Uma atitude idiota, se pensarmos que à partida a Rússia teria todo o interesse em reforçar a sua ligação à Europa, já que o seu namoro com a China será necessariamente curto. Mas esqueçamos esse triste episódio, o mal já está feito... Restam duas outras frentes que deveriam suscitar um forte investimento.
Por um lado, a relação com a margem sul do Mediterrâneo... Investimento directo e aposta forte na formação e intercâmbio de quadros, como única forma de garantir uma aproximação cultural real. Absoluta restrição das tentações neocoloniais, já que o seu resultado é garantidamente desastroso.
Por outro lado, a Turquia... A sua posição geográfica é de um valor inestimável, tal como é inestimável a sua osmose cultural com todo o universo islâmico árabe e persa. Friso bem este segundo ponto... No seguimento da atitude insultuosa da UE, a Turquia tem vindo a reconstruir sob a excelente direcção política de Erdogan, ano após ano, a rede de interdependências quebrada com a queda do império otomano. E neste processo é digno de espanto o acolhimento favorável que a iniciativa tem tido nos antigos territórios vassalos, quando seria de esperar que a recebessem com uma boa dose de anticorpos.
Poderemos esperar que os cidadãos da UE, ou pelo menos os seus tutores políticos, olhem para esta questão com um pouco de bom senso e sentido de estado ? É duvidoso. Ratzinger está apenas interessado em aproveitar em benefício próprio a insegurança dos cidadãos, um benefício que se corporize na definição prática da UE como clube da cristandade desvalida, mesmo que para isso não tenha qualquer legitimidade, um pormenor que não o deve incomodar muito ( tal como, pelos vistos, não incomoda o nosso Policarpo ).
Quanto a Merkel, não se percebe muito bem para onde vai, pois os medos que se lhe adivinham poderiam ser facilmente contidos por regimes transitórios.
Quanto ao petit Sarkozy tudo é mais claro, pois se trata de um revivalista que acredita na reconstrução de l'empire. O tempo se encarregará de lhe mostrar que l'empire já era, pena é que talvez não haja tempo para corrigir o tiro.
O RSE e restante família
No que respeita à confidencialidade, pode e deve notar-se que um registo universal de dados da saúde dos cidadãos é um bolo demasiado apetecível e que é pouco credível a capacidade do estado português para o defender, dada a sua incapacidade para prevenir ou punir a corrupção.
No que respeita à fiabilidade, vale a pena estar atento à dimensão do projecto em curso. Se se limitasse ao registo dos diagnósticos ou até dos tratamentos, poder-se-ia pensar que a prudência dos clínicos seria suficiente para minimizar os efeitos da subjectividade ou do erro presentes nos registos.
Por outro lado, porque a centralização de um tão grande volume de informação pressupõe que a sua manipulação seja totalmente automatizada, de forma a evitar erros de transcrição. Mas para que essa automatização seja possível, é necessário que todo o percurso, que tem início na prescrição e termo no registo na base de dados central, seja absolutamente isento de ambiguidade.
E aí vale a pena referir que a filosofia seguida pelo estado nas últimas décadas ( nelas incluídos os anos posteriores ao fuzilamento do IGIF ) é estruturalmente inválida, mesmo do ponto de vista da candeia economicista que lhe vai alumiando o caminho.
Não seria útil dar início à discussão pública deste assunto ?
Saindo do armário
O clube católico agita-se, aterrorizado pelas tentativas de laicização do estado, uma reacção que seria compreensível há 40 anos atrás, aquando da reforma do ensino. Afinal de contas, foi nessa altura que em Portugal o regime de privilégio na utilização das instituições do estado para disseminação da crendice religiosa sofreu os primeiros golpes sérios desde a implantação da ditadura.
Um pouco adiante, a revolução de 74 abriu caminho à formalização nos textos constitucionais da separação entre o estado e a religião, uma característica democraticamente estabelecida e democraticamente mantida até hoje. E tendo essa separação sido tão claramente estabelecida há 34 anos atrás, então os esforços de D. Policarpo pareceriam deslocados, pois teoricamente não haveria hoje em Portugal qualquer utilização das instituições do estado para inculcar a religiosidade nos cidadãos desde pequeninos. Hélas, ficámos a saber há pouco tempo atrás que a Constituição afinal não vale o papel em que está escrita, e que na verdade os crucifixos e santinhos se mantiveram firmes nas salas de aula dos estabelecimentos de ensino público. À socapa. Durante mais de três décadas.
Percebe-se o arrepio de D. Policarpo e a manobra que propõe, agora que o clube católico foi forçado a sair do armário... Trazida à luz do dia, esta situação já não é sustentável sem uma revisão da Constituição validada pelo voto dos cidadãos, e D. Policarpo não se sente seguro para propor tal coisa. Prefere tentar manter-se no terreno mole da semântica, crendo ser assim possível manter o status quo mudando apenas o nome às moscas.
Proponho a D. Policarpo que tenha a coragem de assumir com clareza as suas pretensões. Se quer o ensino público como veículo de propagação da crendice religiosa, então deverá coordenar com as forças políticas que o queiram apoiar a elaboração de um projecto de revisão constitucional em que os portugueses possam votar com total consciência. Nada o impede, a Constituição deve em cada momento reflectir com rigor os sentimentos dos cidadãos.
Pela minha parte, afirmo desde já muito claramente que um tal projecto não terá o meu voto. A razão é simples, parece-me um abuso grave a submissão das crianças, numa fase da vida em que não podem ainda fazer uso do juízo crítico, a um regime de treino pavloviano que lhes inculque a aceitação cega da crendice religiosa.
Santana Flopes das Arábias ataca novamente
A Turquia obteve um bónus inesperado, graças à incompetência dos gestores da política externa israelita.Depois do affair Peres, depois de várias outras manifestações claras do desagrado turco pela situação no ghetto de Gaza, Israel incomodou-se ainda mais com uma telenovela exibida pela televisão turca onde os agentes da secreta israelita são mostrados como raptores de crianças, entre outras coisas. Como o governo turco se recusou naturalmente a intervir no assunto, Israel decidiu contra-atacar. Acordada com Bibi a intenção, Lieberman delegou no seu vice, Ayalon, a tarefa de dar uma ensaboadela ao embaixador turco.
Uma vez que tenciono em breve fazer um comentário sobre a face europeia desta viragem estratégica, recomendo ao leitor uma visita ao Syria Comment de Joshua Landis, para melhor apreciar os efeitos regionais.
A adopção, a constituição e a assombração
Do pé para a mão e à falta de melhor, ocorreu-lhe apenas sugerir que a manutenção de restrições à adopção de crianças por casais homossexuais pode violar preceitos constitucionais.
Horror!... Pânico!...
Ou nem por isso. Mesmo que que seja pertinente a observação, há que lembrar duas coisinhas. Por um lado, que embora os casais homossexuais se possam apresentar em pé de igualdade com os heterossexuais num qualquer processo de adopção, este envolve uma terceira pessoa com um estatuto muito especial, a criança, cujos direitos constitucionais também não podem ser ignorados. Por outro lado, mesmo que, depois de um calvário de acusações cruzadas esgrimidas na praça pública, o legislador venha a ser obrigado a uma equiparação plena, os processos de adopção não morrem aí... Cabe unicamente às entidades tutelares, sejam elas instituições sociais ou tribunais, o direito e dever de construir a decisão final. No mundo real, esfumam-se aqui as dúvidas constitucionais do professor.
Casados de fresco
Mas se esta revisão dos textos legais é positiva, convém não ficar desatento do contexto em que foi produzida... Tratou-se de um exercício vanguardista, como o prova a ruidosa discordância dos proponentes quanto à possibilidade de referendar o tema. E se esse referendo tivesse tido lugar, provavelmente iria no sentido da manutenção da discriminação. Desiluda-se quem pense o contrário, a sociedade portuguesa continua tão beata como há 30 ou 40 anos atrás, apenas vem substituindo os terços por gravatas.
Proponho uma solução. Proíba-se a adopção de crianças por casais homossexuais cujos membros não tenham filhos, durante os próximos 10 anos. Findo esse prazo, submeta-se então a questão a decisão da AR.
Não me saem da cabeça as imagens recentes de algumas mães que nas televisões, quando questionadas sobre a existência de crucifixos nas salas de aula de estabelecimentos públicos, não tiveram dúvidas em sugerir que, se os pais de alguns alunos não gostassem de ver os crucifixos, então que transferissem os filhos para outra escola. Este é o país real.




