Cheguem-se à frente

O Yedioth acaba de noticiar uma declaração de Dahlan, em que este afirma que a autoridade palestiniana está a considerar solicitar ao Conselho de Segurança o reconhecimento do estado palestiniano delimitado pelas fronteiras de 1967, sem quaisquer alterações.

Depois do fracasso da administração norte-americana na sua tentativa de travar o processo sionista de colonização, não há de facto muitas alternativas...
Mesmo que seja retomado algum processo de paz, a sua duração será suficiente para inviabilizar à partida o novo estado, dado que em vez de preparar a remoção dos colonatos, Israel decidiu investir tudo na sua expansão.
Ora, se não é possível criar um estado viável através de um processo de paz entre as duas partes interessadas, cabe ao CS a responsabilidade de intervir e impor a solução mais consensual, pois de outra forma a única saída possível será a transformação de Israel num estado binacional.

Como disse Dahlan, embora o risco de veto por parte dos EUA seja elevado, será também uma oportunidade para saber se é ou não real o alegado empenho da superpotência na solução dos dois estados.
Tendo em conta a humilhante cedência na questão dos colonatos, julgo que vale a pena fazer o teste.

Inquietação persistente



O vídeo acima, um de vários cuja difusão está a ser facilitada pelo  Enduring America, retrata as movimentações dos estudantes universitários iranianos em preparação para as manifestações de rua convocadas para amanhã pela oposição.

Parece-me de certa forma extraordinário que os estudantes universitários se mantenham na linha da frente.
Tendo sido os alvos preferenciais da forte violência repressiva que conteve os protestos pós-eleitorais, num processo que não produziu avanços políticos decisivos, seria de esperar algum desânimo ou, no mínimo, maior cautela.

Louvo-lhe a coragem e a determinação, mas mantenho a reserva que já exprimi quanto às possibilidades de sucesso de movimentações revolucionárias no Irão nesta altura, pois julgo que a classe média não tem ali, para já, a massa crítica necessária para causar instabilidade grave e a subsequente adesão de outras classes a essas movimentações. No entanto, o que se vai passando é sintoma de que o regime está a entrar num beco sem saída muito característico dos regimes estáticos, pois a elevação do nível médio de formação dos cidadãos, condição sine qua non para o desenvolvimento económico do país, acarreta a necessidade paralela de responder à sua exigência de participação nos processos políticos.

Já agora, não posso deixar de apresentar um dos exemplos dessa magnífica e estranhamente perturbadora forma de protesto político que é o coro desencontrado de apelos a Alá lançados na noite a partir das janelas e dos telhados, uma reminiscência da resistência ao antigo xá.




Plano D, precisa-se

E depressa, antes que o abecedário se esgote.
A ameaça já tinha sido feita há bastante tempo atrás, ainda durante a contagem dos votos. Agora, com o enorme atraso do processo a provocar uma pressa incontrolável na preparação da segunda volta, que se prevê tão ou mais fraudulenta que a primeira, Abdullah Abdullah atirou a toalha ao chão.
Será correcto ?
O candidato já tinha sido pressionado a aceitar uma solução que passasse pelo reconhecimento da derrota, a que se seguiria o estabelecimento de uma fórmula de partilha do poder com Karzai. Uma espécie de presidência pague-um-leve-dois.
Não aceitou, seguiu-se a trapalhada do caso Galbraith e a azáfama da preparação de uma segunda volta que, de qualquer maneira, boa ou má, pudesse proporcionar alguma legitimidade a Karzai e salvar a honra da casa. E da ONU, já agora.
Também não aceitou, e o sentido da sua mensagem é muito claro... Se querem continuar com esta fraude, continuem, mas não me envolvam nisto.

Washington, we have a problem... Bruxelles, on a un problème ...
Estamos a ficar sem pretextos para manter as nossas valerosas forças defensivas no Afeganistão. Quanto mais não seja porque não parece nada a defender.

Precisamos então do plano D, já. Sei lá, podemos dizer que o Irão se prepara para invadir o país... Ou que os chineses querem fazer passar por ali um pipeline muito comprido para chupar todo o petróleo do Médio Oriente. Vá lá, qualquer coisa, sejamos criativos...