A pausa

Não se negoceia com terroristas. Amen.

Posto isto, parece-me razoável um primeiro comentário ao resultado do cessar-fogo negociado entre duas forças terroristas antagónicas, Israel e Hamas.

À partida, será o acordo possível, restrito à supressão dos ataques a partir de Gaza e correspondente abertura de fronteiras por Israel. Pelo que posso perceber, as fronteiras com o Egipto não serão abertas incondicionalmente.

Que temos então ? A supressão do ruído dos Qassam, em troca do desmantelamento parcial do bloqueio. Vantagens para todos...

O governo israelita alivia um pouco o fardo moral do exercício de punição colectiva de 1,2 milhões de civis, e fica com maior sossego para negociar a Norte, que é de momento a aposta mais importante, pois a Sul Abbas pode ser enrolado por mais alguns meses sem grande inconveniente.
O Hamas, por seu lado, reafirma a credibilidade saindo incólume de uma situação de cerco total às mãos de Israel e dos países colaboracionistas.

Tudo perfeito, então ?... Nem por isso. Um dos pontos fracos deste acordo é o facto de não incluir a Cisjordânia. Será o meu mau carácter a falar, mas não creio que haja inocência neste desfasamento, que beneficia tanto Israel como a Fatah.
O resultado torna-se aparente desde já... Depois de um ataque israelita na Cisjordânia, tanto a Jihad Islâmica como a Fatah exerceram uma legítima retaliação. Mas fizeram-no a partir de Gaza, claro, dando a Israel um motivo para fechar novamente a fronteira e deixando o Hamas com a batata quente nas mãos.
Como o Hamas não se assusta muito com a temperatura das batatas, deixou claro que estes truques não devem repetir-se. Quem o fizer estará a trair o interesse do povo palestiniano e será devidamente punido.

Mais resultados ?... Para já, nenhum. A fase seguinte prevê trocas de prisioneiros e o alargamento do cessar-fogo à Cisjordânia. Se lá chegarmos, o Quisling da Fatah receberá mais um abalo na sua periclitante posição. Aguardemos sentados.

Sem comentários: