A ligeira asfixia da Ucrânia pela Rússia, há uns anos atrás, deu algo que pensar à UE, pois embora nada tivesse a ver com o assunto foi usada como peão das nicas e foi sujeita a uma breve redução dos fornecimentos do gás natural que transita pelo ramo ucraniano da rede asiática.
Estes acontecimentos e as safadezas subsequentes mostraram à UE a debilidade da sua posição, que a deixa vulnerável a pressões económicas e/ou políticas duma Rússia que por algumas décadas irá manter a arrogância.
O episódio foi curto e grosso, andou por algum tempo nas bocas do mundo, mas convenhamos que se tratou apenas da ponta acidentalmente visível de um icebergue muito grande e feio. E deste icebergue pouco ou nada se falou.
Com a passagem do tempo, a Branca de Neve vem estendendo os seus tentáculos ( perdão, os seus gasodutos ) num amplo movimento de cerco à Europa. O movimento mais teatral deu-se há poucos dias, com a entrada de leão da Gazprom no Turquemenistão. Com dois acordos distintos, a Gazprom colocou-se como interlocutor único daquele estado no que toca ao gás, oferecendo valores principescos por 20 anos de monopólio. Nada mau.
A norte haveria ainda alguma coisita disponível para os europeus, mas cazaques e uzbeques devem agora sentir-se um pouco entalados, pois o escoamento para sul poderá estar sujeito à boa vontade da Gazprom e os acontecimentos desta semana mostraram que o escoamento por Baku pode tornar-se um risco demasiado elevado. Vamos ver como se desenvolve a guerra na Geórgia, mas seria bom saber se é verdadeira a notícia de bombardeamento do oleoduto Baku-Ceyhan pela aviação russa, ou se não passa de propaganda de Tbilisi.
É certo que, para prevenir males maiores, alguns dos 27 anões têm andado a namorar o Irão, mas Israel tudo fará para impedir contratos de vulto, como se viu há poucos dias com a Alemanha. É pena, porque não só os projectos iranianos ficaram mais dependentes da boa vontade russa, como também o estabelecimento de uma relação directa e duradoura entre a UE e o Irão seria de grande interesse para ambas as partes. Não dispomos no entanto de dirigentes políticos com capacidade ou coragem para avançar por aí.
Resta-nos por isso o prémio de consolação. Uma vez que a Gazprom se prepara para dar o mesmo golpe do baú na Líbia e a na Argélia, seria útil que os media tentassem pelo menos esmiuçar os aspectos mais sórdidos dessa novela. Poderiam começar por investigar a ENI, teriam muito com que se entreter, nomeadamente a história das participações em empresas russas, dos métodos usados na sua obtenção e das contrapartidas exigíveis a prazo pelo estado russo. Em seguida, podem ir perguntar à direcção política da UE ( se a conseguirem encontrar ) o que tem andado a fazer no meio disto.
No fim desta película triste, a Rússia terá gases. À UE restará apenas o mau cheiro.
Branca de Neve e os 27 anões
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1 comentário:
Os 27 anões não percebem muito de estratégia...
Desde 1973, "Oil Rules !!!"
Parece de daqui a pouco "Gas will rule ...also !!!"
Entre americanos e russos alguém se há-de tramar !
Porque os produtores de petróleo estão nas mãos dos refinadores (Bush e coleguinhas...).
Abraço
dark
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