A receita do tecnofacho

Há diferenças substanciais entre os regimes autoritários do século passado e o que agora construímos.
Sobressaem a diferença na gestão da informação e a escolha mais cuidadosa do timing da escalada.
O episódio agora em exibição desenrola-se em torno da instalação de um sistema mandatório de identificação electrónica de veículos. Em termos práticos, o estado passará a dispor de meios para controlar os movimentos de qualquer viatura. Como é hábito, também este episódio se vai desenrolar sem dramas, com o maior respeito pelos aspectos processuais da democracia representativa.

O esquema é linear:
- Num primeiro momento, dão-se dois passos na direcção desejada, a coberto de autorização parlamentar;
- Num segundo momento, o choque resultante trará o vendedor de sapatos à boca de cena para acalmar os mais inquietos, seduzindo-os com a eficácia, o modernismo ou qualquer outro chavão bacoco. E num espírito dialogante, o vendedor de sapatos manifestará ainda a sua abertura ao aperfeiçoamento das novas regulamentações. No fim, terá de recuar apenas um passo.

A receita não falha. O cidadão comum, embrutecido por overdoses sucessivas de futebóis e fantásticos toques polifónicos no télélé, nem chega a perceber o que lhe aconteceu.
Estranho gado este, que sorri enquanto o tecnofacho lhe aperta a canga.

2 comentários:

Anónimo disse...

Toma lá uma prenda. http://www.naomiklein.org/main

The Shock Doctrine Short Film.

Acho que se adapta lindamente ao teu perfil macabumzio :o) Por mim fiquei e estou ainda arrepiada até à medula e ainda não acabei o primeiro capítulo do livro. Agora já podes ver porque ando tão agastada.

PVM disse...

Li algures que está em projecto um chip para pessoas com a doença de Alzheimer. Lá está: é o primeiro passo. Hoje Alzheimer, depois de amanhã todos nós - como hoje já aos cães. Os socialistas, tão empenhados em vigiar todos os passos que damos!
PVM