O reizete da Jordânia sumariou correctamente o estado actual do Médio Oriente.
O plano árabe ( que efectivamente constitui a consagração da vitória do projecto sionista ) corporiza a vontade colectiva de 57 países, no sentido de acomodar a existência da entidade sionista. Mais do que isso, encontra-se em revisão para clarificar a questão do direito de retorno.
Israel tem perante si uma oportunidade única, e não lhe adianta nada atirar com mais poeira para os olhos do resto do planeta. Bibi, quando este mês se encontrar com a segunda incarnação de JC, deve pesar muito bem as palavras e, mais que isso, acompanhá-las de actos concretos, de uma vez por todas.
Não o fazendo, abre caminho a uma nova guerra no espaço de 12 a 18 meses, uma guerra mais vasta que as anteriores, que não envolverá apenas os actores usuais.
Na verdade, não é Bibi o único a ter de decidir em definitivo o destino do projecto racista. Essa é também uma responsabilidade histórica da UE, herdada da leviandade colonial britânica, e uma responsabilidade da nova administração imperial norte-americana, suporte principal desta vergonha nas últimas décadas.
Há demasiadas coisas em jogo que, em abono da verdade, não se restringem à condição sub-humana de quase 9 milhões de palestinianos.
Parece alarmante que num momento em que o poderio do patrono norte-americano decai e força o realinhamento dos investimentos, o eleitorado israelita tenha optado pela soberba nacionalista.
Bibi poderá ter já percebido que a arrogância e cinismo que marcaram o início do seu mandato poderão garantir-lhe um lugar na História... O de coveiro de Israel.
O mês de Maio será determinante para a última das capitulações ocidentais impostas ao império turco. Numa abordagem estritamente realista, não se pode dizer que o seu peso seja fundamental, mas o seu valor simbólico determina tudo o resto.
Sabem-no os árabes, os persas, os israelitas, a administração imperial e os seus cúmplices europeus. Sabem-no e amedrontam-se com a tempestade perfeita que se avoluma, este cruzamento insanável de crises pontuais, em que um erro pode precipitar a catástrofe.
Este não é um momento bonito. É um momento em que se revela a grandeza ou a mediocridade das lideranças. E os sinais de histeria no galinheiro vão-se sucedendo. No lugar de Bibi, não arriscaria mais um bluff. Muito menos uma saída de emergência pela abertura de uma frente de guerra no Irão que miraculosamente encoste a administração imperial à parede.
Estará Bibi à altura ?
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