Baradar

Para além do efeito desmoralizador que necessariamente terá a curto prazo, não é fácil prever as consequências da detenção de Baradar ou, ainda antes disso, perceber sequer o contexto que conduziu à detenção.
Note-se que há aspectos divergentes na apreciação do seu estatuto corrente. Do lado da estrutura hierárquica dos Taliban a sua aura talvez rivalize demasiado com a do mullah Omar. Do lado paquistanês, não deve ter caído muito bem o seu pendor para causar distúrbios com os xiitas e, consequentemente, minar ainda mais a frágil situação interna no Paquistão.
No curto prazo, a desactivação deste estratega pode danificar a cadeia de comando e facilitar assim a obtenção de resultados mais rápidos na ofensiva de Helmand, o que por sua vez pode abrir caminho para uma solução negociada baseada numa posição menos proeminente dos Taliban. Já não seria nada mau que isso acontecesse, o sucesso dos Taliban ao longo dos anos garantiu-lhes uma posição demasiado forte face ao liliputiano governo de Cabul.
No longo prazo, no entanto, a detenção não implica por si só um grande impacto, uma vez que a estrutura da organização já está adaptada há muitos anos a este tipo de perdas e que não há ameaças sérias ao fenómeno Taliban que, quando muito, continuará a ser alvo de medidas de contenção do lado paquistanês.

Como não podia deixar de ser, alerto mais uma vez o leitor para a ligeireza lamentável com que alguns media ocidentais tratam este e outros eventos. Se as interpretações mais propaladas fossem credíveis, os Taliban não passariam de um mero conjunto de terroristas maltrapilhos que já teria desaparecido do mapa pelo menos vinte vezes nos últimos nove ano. Como facilmente se verifica, tal narrativa pouco tem a ver com a realidade.

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