Não se negoceia com terroristas.
Frase muito máscula, muito em voga. Quando ouço esta preciosidade, há um mecanismo mental pérfido que me puxa da memória a figurinha do Ahmadinejad garantindo que não há homossexualidade no Irão.
Mas deixemo-nos de fantasias...
No Paquistão, as negociações com os terroristas Taliban correm às mil maravilhas. Prisioneiro para cá, prisioneiro para lá, a coisa vai andando. Não surtiu grande efeito a subtil pressão que tentámos exercer, despejando meia dúzia de mísseis em território paquistanês. Os paquistaneses não se acobardaram como seria desejável.
Na Palestina, as negociações com os terroristas do Hamas têm dias... Às Segundas, Quartas e Sextas, vai-se acordar um cessar-fogo entre as partes e vão-se trocar uns prisioneiros. Às Terças, Quintas e Domingos, não há acordo nenhum porque os prisioneiros de um lado ou de outro não valem tanto como se diz por aí. Ao Sábado, toda a gente descansa.
Em contra-corrente, diz-se que Olmert quer fazer uma limpeza em Gaza, agora que o Superpateta voltou para casa, mas serão apenas boatos... De momento Olmert deve estar mais concentrado em como fugir da bófia, que não lhe larga as canelas.
Lá do fundo da sua cova, o falecido Abbas manda dizer que está farto de aturar vigaristas e vai dar por falhado o processo de paz daqui por uns dias. Pelos vistos, não sendo totalmente imbecil, acabou por perceber que o Quarteto é de cordas e lhe está apenas a dar música.
Mas, não sendo totalmente imbecil, é-o em boa medida, como toda a gente sabe. Logo, não é ser nenhuma pitonisa para vaticinar que nas próximas eleições palestinianas vai ser corrido, muito provavelmente em benefício do Hamas, o tal que é muito terrorista.
Nestas circunstâncias, a potência ocupante, que não negoceia com terroristas, está aparentemente a ponderar a hipótese de libertar Barghouti e lançá-lo à conquista do eleitorado palestiniano. Para benefício dos mais desatentos, Barghouti é um terrorista que se encontra a cumprir uma pena de algumas décadas em Israel por homicídios e destruições diversas. Ora o moçoilo é simultaneamente um fenómeno de popularidade entre os palestinianos e é há muitos anos considerado como um líder com enorme potencial, respeitado também pelos seus captores.
Quem se lembrar ainda do julgamento, ou tiver notado a facilidade com que vai dando palpites a partir da sua cela, perceberá a que me refiro.
No Iraque, as negociações com os terroristas sunitas também não correram nada mal. Desde que o ocupante lhes atribuiu o rendimento mínimo garantido deixaram de explodir, o que é bom para o ambiente.
Já não correu tão bem a tentativa de entalar o Irão... Não só o governo iraquiano diz que não encontrou provas de intervenção iraniana, como a tropa imperial teve de meter o rabo entre as pernas quando, poucos dias depois de ter anunciado com trombetas que iria revelar ao mundo um arsenal iraniano capturado às milícias, se veio a saber que não há qualquer armamento iraniano envolvido. Chatice. Há que procurar outro casus belli e depressa, que o Superpateta está por um fio.
Já no Líbano, as negociações com os terroristas do Hezbollah provavelmente não foram boa idéia. Os rapazes estão agora numa posição magnífica, depois de terem resistido à tentação de cilindrar todos os adversários duma assentada.
Deixo aqui um singelo contributo... Uma vez que a Al Qaeda apelou à guerra santa contra os apóstatas do Hezbollah, podíamos dar um toque ao Bin Laden e oferecer-lhe um patrocínio.
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