Tomo o Ocidente como unidade composta por três grandes parcelas, a saber, as viúvas ricas da Europa, os grossos fanfarrões dos EUA e os boiardos alcoólicos da Rússia.
Grosso modo, não incluo a América Latina no gang, uma vez que ali parece estar a vestir-se finalmente uma identidade que pouco ou nada tem a ver com a nossa.
E se dos últimos duzentos anos podemos enfim tirar do forno um sistema ideológico defensável do ponto de vista ético, um farolim para a Humanidade mergulhada nas trevas, melhor seria se pudéssemos em simultâneo perceber a sua caducidade.
Os valores ocidentais são valores de luxo, patamares de entendimento que a todos nos agradaram por algum tempo enquanto distribuição minimamente equitativa dos benefícios de uma posição dominante sobre o resto do planeta.
E valores de luxo são equivalentes da ilusão romana. Supridas as necessidades básicas do centro, não por virtude angelical do modelo económico mas antes por manipulação do circuito global dos excedentes de produção e resolução mais ou menos sangrenta dos conflitos de classe a nível local, eis-nos, por duzentos anos, languidamente acomodados no que julgámos ser o fim da História.
Duzentos anos são um perigo... Pouco ou indiciam sobre as grandes linhas históricas mas enganam o indivíduo, cuja janela de vida é bem inferior a esse intervalo, pois lhe plantam na mente o pior dos erros de apreciação, o de que sempre foi assim e sempre há-de ser.
É agora indiscutível que a mudança para o séc. XXI assinala o fim da supremacia ocidental. Ano após ano, a deslocação massiva de riqueza para outros pólos reduz a nossa capacidade de manobra. Um movimento lento, mas mensurável. Não uma rampa contínua mas uma sucessão de patamares de crise.
E pela segunda vez, esta Roma, como a anterior, crê-se capaz de suprimir pela força ou pela fé a rebeldia. Erra e perde-se assim pela segunda vez, porque o resto do mundo não pára para contemplar com ar bovino as nossas construções ideológicas falaciosas.
Chegou o momento de discutir soluções efectivas. Estamos à altura ?
Roma, quantas vezes deves cair ?
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