Esta é a minha terra bem-amada


Para os que já quase perderam a memória da sua gente, ou para os que nunca chegaram a tê-la, Tradisom,  RTP e Público editam agora as filmagens de muitas das recolhas de Giacometti. Ouçamos estas vidas, fiadas em lugares sem distância ou tempo.

2 comentários:

Fernando Ribeiro disse...

Belíssima a música (da Beira Baixa, a avaliar pela melodia) e belíssima a senhora, apesar de ter o seu rosto marcado por uma vida de trabalho.

Sem querer ser saudosista de um tempo de miséria que se deseja que não volte nunca mais (embora pareça aproximar-se de novo, graças aos sumo-sacerdotes do neoliberalismo), algo de muito profundo a nossa alma perdeu com a chamada globalização, que é mais uma americanização de pacotilha do que outra coisa.

No meu blogue eu já tinha apresentado um vídeo, da mesma série de programas do Giacometti, sobre a rabeca chuleira. Está aqui.

Hélder M. Vieira disse...

Estes registos têm para mim um sabor agridoce, talvez porque seja este o mundo da minha infância.
E na infância tudo é, simplesmente. Só mais tarde nos vem o juízo crítico e a vontade de saber como tudo chegou a ser.
Ficaram por isso sentados na memória os sons, os cheiros, os afectos desse mundo sem passado nem futuro, onde em cada olhar se
percebia aquela resignação estranhamente tranquila, onde as alegrias eram mantidas pequenas e as tristezas eram apenas murmuradas, onde a rudeza lenta dos gestos assinalava a sabedoria que se cria trazida pela idade, onde se falava indiferentemente com homens e animais, quase cantando as palavras, como se fossem notas com que se adornavam as lides de dias sempre iguais.