Para os Taliban, os ventos correm de feição.
A Norte, controlam cerca de 30% do território afegão, numa altura em que o exército imperial norte-americano não parece poder dispor dos meios necessários a um esforço duradouro e os cínicos da Velha Europa só esperam uma oportunidade para fugir do atoleiro.
Num curioso desenvolvimento paralelo, agora que a tropa imperial ensaia uma investida redentora, também a Sul os Taliban ganham uma posição relativamente tranquila depois de explorarem até ao tutano a crescente debilidade do estado paquistanês.
Ora, o acordo de paz estabelecido no Paquistão passou também por um esforço de aproximação entre diversas milícias, um dois-em-um que Omar imediatamente aproveitou, apelando aos militantes para que se congreguem no combate ao inimigo comum em território afegão, em vez de perderem tempo a chacinar muçulmanos.
Em que ficamos, então ?
Na mesma.
Não é possível obter do Paquistão qualquer medida decisiva, seja porque os Taliban constituem um elemento-chave da sua estratégica política no Afeganistão, como dissuasor da influência indiana, seja também porque o Paquistão pode a qualquer momento tornar-se ingovernável... Sharif apelou hoje claramente à insubordinação, depois de ameaçado com prisão perpétua. Uma situação a acompanhar nos próximos dias.
Perante esta salgalhada, os decisores políticos da NATO ( realçando-se de forma crescente os seus componentes norte-americanos ) rodopiam em busca de uma solução política. O problema é que não há Talibons para conversar, apenas Talimaus, o que é uma chatice pois de momento Omar só está disposto a negociar depois da saída das tropas estrangeiras do Afeganistão, impedindo assim qualquer aproximação directa.
Mas quem não tem cão, caça com gato, e tanto o Paquistão como os EUA cortejam agora o Irão, na esperança de um salvífico ménage à trois. Pode ser. Mas talvez seja útil habituarmo-nos à idéia de, como dizia o outro, ver Omar passeando-se pelas recepções de gala em Washington.
Ao longe, os boiardos rebolam-se de gozo.
Sim ou sim
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário