Depois da generosa quantidade de disparates gerados por um episódio de erosão natural, valeria a pena reflectir um pouco sobre o bom senso de uma sociedade.
Perdi essa esperança, no entanto, depois de assistir à intervenção televisiva de um sujeitinho desagradável, que creio ser o chefe de um sindicato de magistrados e o provável proponente de um inquérito-crime.
Não que um inquérito seja em abstracto uma má idéia. Tratou-se de um conjunto de mortes, cuja causa deve ser estabelecida sem margem para dúvidas, o que julgo ser o que geralmente se faz quando a causa de morte não é uma doença. Neste caso, dados os relatórios das autópsias e o número elevado de testemunhas do acidente, não me parece que no fim devam subsistir muitas dúvidas sobre o que aconteceu.
Só que... O que o sujeitinho reclama é bem mais do que isso. Reclama o despedimento dos responsáveis, gente que em seu entender poderá não ter cumprido o seu dever de zelar convenientemente pelo bem-estar dos cidadãos.
Este sujeitinho é perigoso, e aproveita-se de duas fontes de problemas:
- Um é bastante genérico, e tem a ver com o grau de responsabilidade que o Estado deve assumir em substituição dos cidadãos. Perante uma massa extensa de material sedimentar que vem sendo naturalmente destruída ao longo de milhões de anos , parece-me simplesmente idiota que se vá além da sinalização das zonas de maior risco, quando estas sejam conhecidas. Ir para além deste ponto significa assumir que os cidadãos adultos não dispõem da capacidade mental necessária para, conhecendo um risco, tomar as suas decisões.
- O outro é o da formulação dos deveres a que estão sujeitos os desgraçados que o sujeitinho quer agora despedir... Porque se essa formulação tiver sido genérica ( o que é muito provável ), então os funcionários que se limitaram a sinalizar o perigo faltaram ao seu dever, pois, tendo consciência de que algures neste milénio aquela ou qualquer outra massa existente no solo deste país poderão desagregar-se, não cuidaram de vedar as áreas, não colocaram polícias de piquete em cada uma delas nem mantiveram ambulâncias de piquete nesses locais.
Perdi essa esperança, no entanto, depois de assistir à intervenção televisiva de um sujeitinho desagradável, que creio ser o chefe de um sindicato de magistrados e o provável proponente de um inquérito-crime.
Não que um inquérito seja em abstracto uma má idéia. Tratou-se de um conjunto de mortes, cuja causa deve ser estabelecida sem margem para dúvidas, o que julgo ser o que geralmente se faz quando a causa de morte não é uma doença. Neste caso, dados os relatórios das autópsias e o número elevado de testemunhas do acidente, não me parece que no fim devam subsistir muitas dúvidas sobre o que aconteceu.
Só que... O que o sujeitinho reclama é bem mais do que isso. Reclama o despedimento dos responsáveis, gente que em seu entender poderá não ter cumprido o seu dever de zelar convenientemente pelo bem-estar dos cidadãos.
Este sujeitinho é perigoso, e aproveita-se de duas fontes de problemas:
- Um é bastante genérico, e tem a ver com o grau de responsabilidade que o Estado deve assumir em substituição dos cidadãos. Perante uma massa extensa de material sedimentar que vem sendo naturalmente destruída ao longo de milhões de anos , parece-me simplesmente idiota que se vá além da sinalização das zonas de maior risco, quando estas sejam conhecidas. Ir para além deste ponto significa assumir que os cidadãos adultos não dispõem da capacidade mental necessária para, conhecendo um risco, tomar as suas decisões.
- O outro é o da formulação dos deveres a que estão sujeitos os desgraçados que o sujeitinho quer agora despedir... Porque se essa formulação tiver sido genérica ( o que é muito provável ), então os funcionários que se limitaram a sinalizar o perigo faltaram ao seu dever, pois, tendo consciência de que algures neste milénio aquela ou qualquer outra massa existente no solo deste país poderão desagregar-se, não cuidaram de vedar as áreas, não colocaram polícias de piquete em cada uma delas nem mantiveram ambulâncias de piquete nesses locais.

1 comentário:
nem mais, face ao comentário que aqui tens, recomendo uma leitura aos comentários feitos à notícia http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1397197 com uma saída infeliz de francisco ferreira. esta é ainda pior, pelo cargo ocupado pelo responsável.
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