Todas as figuras públicas iranianas andam agora de faca na liga.
Incluindo Khamenei. A suprema múmia percebeu finalmente a sua suprema imbecilidade, e decidiu criar uma milícia pessoal para se proteger.
Incluindo Khamenei. A suprema múmia percebeu finalmente a sua suprema imbecilidade, e decidiu criar uma milícia pessoal para se proteger.
À medida que a bruma se vai esbatendo, não só se revelam os actores como se retoma algum do brilho que, em minha opinião, é uma singularidade da vida política daquele país.
Os campos estão mais claramente divididos entre o IRGC/Ahmadinejad e os outros. Todos os outros. Por muito surrealista que seja o quadro, todos os opositores do presidente, à direita e à esquerda, confluem na acção ( e apenas na acção, naturalmente ) para desagregar a estrutura que ameaça tomar de assalto o estado.
Parece confirmar-se a opção pela estratégia que mencionei em 29/7, de cerco legalista à dupla IRGC/Ahmadinejad. Sucedem-se as demissões, acusações e punição de elementos de peso, e ganha algum fôlego a crítica do sistema, seja a proveniente do clero ( com relevo para um discurso memorável do grande ayatollah Saanei ), seja a proveniente das proto-múmias próximas de Khamenei. Ver Larijani apelar à pluralidade é o mesmo que ouvir um hino à duplicidade congénita dos carreiristas.
Definitivamente, algo se passa em Teerão, e parece apontar para o restabelecimento do sistema de checks and balances.
Não se tratará ainda do nascimento de uma Vénus republicana e laica, mas julgo ver sinais de uma gravidez prolongada que inevitavelmente produza esse bicho ( admito que possa estar a empolar a importância de alguns detalhes, mas logo veremos ).
Os campos estão mais claramente divididos entre o IRGC/Ahmadinejad e os outros. Todos os outros. Por muito surrealista que seja o quadro, todos os opositores do presidente, à direita e à esquerda, confluem na acção ( e apenas na acção, naturalmente ) para desagregar a estrutura que ameaça tomar de assalto o estado.
Parece confirmar-se a opção pela estratégia que mencionei em 29/7, de cerco legalista à dupla IRGC/Ahmadinejad. Sucedem-se as demissões, acusações e punição de elementos de peso, e ganha algum fôlego a crítica do sistema, seja a proveniente do clero ( com relevo para um discurso memorável do grande ayatollah Saanei ), seja a proveniente das proto-múmias próximas de Khamenei. Ver Larijani apelar à pluralidade é o mesmo que ouvir um hino à duplicidade congénita dos carreiristas.
Definitivamente, algo se passa em Teerão, e parece apontar para o restabelecimento do sistema de checks and balances.
Não se tratará ainda do nascimento de uma Vénus republicana e laica, mas julgo ver sinais de uma gravidez prolongada que inevitavelmente produza esse bicho ( admito que possa estar a empolar a importância de alguns detalhes, mas logo veremos ).
Espero que tudo corra pelo melhor. Com quatro pontos de crise simultânea no Médio-Oriente, será benéfico para a paz mundial que o Irão não descambe para uma ditadura militarista. Tendo em conta os problemas internos do país, seria demasiado tentadora a velha solução de legitimação pelo confronto com o inimigo externo. Definitivamente, mesmo sem esse Sarajevo já temos lamaçal suficiente para chafurdar durante as próximas décadas.

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