Plano B, precisa-se

Em Cabul, os grupos Taliban não tiveram hoje dificuldade em assinalar, com todas as letras, que está na sua mão o sucesso ou insucesso da consulta eleitoral.
Um responsável policial veio reforçar mensagem, ao afirmar claramente que não seria possível garantir a tranquilidade necessária.

Não sei se o querido leitor se interessa pelo assunto. É certo que se tornou impraticável para os media manter esse interesse ao longo de oito anos de coisa nenhuma. Quase apostaria que uma sondagem aleatória iria revelar que a maior parte dos cidadãos desconhece a extensão do envolvimento da NATO nesta drôle de guerre iniciada por pataratas e continuada por burocratas.

Longe da vista, longe do coração. Não há soldados portugueses a morrer, a guerra está ganha, portanto não vale a pena falar sobre o assunto. Hmm ?....

Bom, clarifiquemos a situação corrente... Há poucos dias atrás, um general britânico sugeriu que o envolvimento do seu país no Afeganistão poderá prolongar-se pelos próximos 40 anos, nas suas várias componentes. Nada mau, para uma guerra que se supunha ganha há 8 anos atrás mas que na verdade tem resultado de ano para ano numa contínua expansão das áreas de actuação dos grupos Taliban.
Uma expansão tão séria que conduz agora a uma alteração profunda na estratégia militar, tal como refere o actual comandante das tropas norte-americanas, num curioso fraseado em língua de pau apontando a necessidade de enfatizar a protecção das populações civis, mas que na realidade se traduz numa concentração defensiva bem a norte da fronteira com o Paquistão, em detrimento das operações de conquista e manutenção de posições. Bom, em qualquer caso é um sinal de realismo sempre bem vindo.

E pergunta o leitor, mas afinal os Talimaus trogloditas controlam o quê, se enfrentam as moderníssimas e bem equipadas tropas da NATO ?
Para elucidar esse ponto, vale a pena ler um artigo recentemente publicado, que alegadamente reflecte a avaliação feita pelo próprio governo afegão sobre o risco de ataques dos Taliban ou outras forças, e que vem acompanhado do mapa que ( com os meus agradecimentos à Reuters ) reproduzo abaixo, depois de lhe ter traduzido as legendas.



Perante esta linda pintura, não seria útil que os nossos burocratas, começando pelo ministro da Defesa, explicassem de forma muito clara o que estamos a fazer no Afeganistão, de preferência sem as frases vazias do costume ?
E que explicassem também as consequências de uma previsível derrota militar da NATO naquele território, quando são aparentemente incapazes de construir e implementar um plano B, defendido até pelo governo afegão, uma alternativa política que resulte numa partilha de poder com os Taliban ?

E pergunto-lhe a si, querido leitor, uma vez que é o responsável último das políticas do seu governo: Está disposto a persistir nesta guerra, independentemente do sofrimento causado ao povo afegão ?... Porquê ?

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