A Turquia obteve um bónus inesperado, graças à incompetência dos gestores da política externa israelita.Depois do affair Peres, depois de várias outras manifestações claras do desagrado turco pela situação no ghetto de Gaza, Israel incomodou-se ainda mais com uma telenovela exibida pela televisão turca onde os agentes da secreta israelita são mostrados como raptores de crianças, entre outras coisas. Como o governo turco se recusou naturalmente a intervir no assunto, Israel decidiu contra-atacar. Acordada com Bibi a intenção, Lieberman delegou no seu vice, Ayalon, a tarefa de dar uma ensaboadela ao embaixador turco.
Este, por sua vez, encheu-se de brios e optou por uma encenação que redundasse em humilhação pública da Turquia. A encenação não correu muito bem... Ayalon caíu na asneira de se vangloriar perante os fotógrafos, afirmando 'notem que ele está sentado numa cadeira mais baixa, que há apenas uma bandeira israelita na mesa e que nós não estamos a sorrir'.
Foi o suficiente para provocar uma crise diplomática grave, que forçou o governo israelita a pedir desculpa, não uma mas duas vezes ( o primeiro pedido foi considerado insuficiente pela Turquia ). Escusado será dizer, foi recebida com enorme aplauso em todo o mundo árabe a firmeza do governo turco, que marcou assim mais alguns pontos na viragem estratégica que encetou.
Uma vez que tenciono em breve fazer um comentário sobre a face europeia desta viragem estratégica, recomendo ao leitor uma visita ao Syria Comment de Joshua Landis, para melhor apreciar os efeitos regionais.
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