Depois da humilhação de Biden, não causou espanto a atitude conciliatória de Netanyahu, que no dia seguinte já considerava o problema quase sanado. O que causou espanto foi a agressividade das reprimendas de Biden e Hillary Clinton, que alguns consideraram desproporcionadas.
Mas, para apreciar devidamente o palco em que esta dança tem lugar, há que incluir um artigo da Foreign Policy que traça os passos dados até se chegar a este ponto...
Nela é mencionado um relatório do general Petraeus ( responsável por quase todas as forças norte-americanas presentes no Médio Oriente ) apresentado em Janeiro ao almirante Michael Mullen, que pinta um quadro negro sobre o descrédito generalizado dos EUA nos países integrados no seu comando, percebidos na zona como demasiado débeis para que possam conter Israel, um desequilíbrio com potencial reflexo no estatuto das tropas americanas nesses países.
Numa nota mais pessoal, o próprio Mullen seria percebido como 'demasiado velho, demasiado lento e demasiado atrasado'.
De seguida, Petraeus terá solicitado a transferência de Gaza e da Cisjordânia do grupo de comando europeu para o CENTCOM, de forma a poder demonstrar ao mundo árabe uma intervenção mais activa naqueles territórios, mas o pedido foi rejeitado.
O alarme causado pelo relatório terá sido no entanto suficiente para que a Casa Branca tenha incumbido Mullen de transmitir pessoalmente ao general Gabi Ashkenazi um aviso claro de que Israel deveria olhar o conflito com os palestinianos no contexto regional, uma vez que o assunto estava a ter um impacto directo no estatuto dos EUA na região.
A posterior humilhação de Biden ganha contornos mais graves neste contexto, pelo que se torna mais fácil perceber a violenta reacção do governo norte-americano, já que, como diz o articulista, embora o lobby judaico esteja entre os mais fortes dos EUA, não é mais forte que o lobby militar, e este começa a ficar demasiado agastado com a ligeireza com que se está a colocar em risco a segurança dos soldados norte-americanos espalhados por todo o território, do Golfo ao Afeganistão.
De profundis
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