Crianças submetidas nas escolas a procedimentos ridículos, como se fossem robots orwellianos.
Uma ministra sinistra que dia sim dia não vem encher o ecrã com avisos sussurrados que gelam o sangue.
Uma ministra sinistra que dia sim dia não vem encher o ecrã com avisos sussurrados que gelam o sangue.
Jornais sedentos de horror que buscam nas morgues o cadáver ainda fresco da primeira vítima do monstro assassino.
Está tudo doido, ou fui eu que me esqueci de tomar as gotinhas ?
Que há afinal de extraordinário nesta estirpe ?
Para mim, que pouco percebo destas coisas, o bicho não parece ter nada de notável. Não sei exactamente em que terá divergido das estirpes mais populosas, mas parece tão-só que a diferença lhe concederá por algum tempo maior capacidade de propagação. De resto, que eu saiba, a mortalidade associada não tem nada de anormal.
Que risco acrescido existe, então ? Do meu ponto de vista, só causarão mossa as situações em que seja contaminado em simultâneo um número excessivo de funcionários desta ou daquela empresas, prejudicando-lhes o funcionamento durante alguns dias.
Fora isso, não percebo. Posso até pensar que talvez seja mais prático proporcionar vias controladas de propagação, de forma a diminuir com alguma celeridade a densidade relativa das pessoas não imunizadas.
Afinal de contas, trata-se de uma estirpe bem sucedida que irá perdurar, façamos nós o que fizermos.
Afinal de contas, trata-se de uma estirpe bem sucedida que irá perdurar, façamos nós o que fizermos.
Em contrapartida, o acréscimo inconsiderado de desinfectantes que aspergimos em pânico sobre tudo o que nos rodeia não só não nos protege de forma eficiente contra coisa nenhuma, como acaba por reforçar a selecção artificial de estirpes resistentes de bicharocos bem mais perniciosos, num percurso idêntico ao dos antibióticos.
Traz-me algum alívio ouvir finalmente um especialista no métier insurgir-se contra a histeria. Só pergunto porque demorou tanto, e se não haverá alguém com capacidade para fornecer uma explicação clara e detalhada sobre este assunto.

5 comentários:
"Posso até pensar que talvez seja mais prático proporcionar vias controladas de propagação, de forma a diminuir com alguma celeridade a densidade relativa das pessoas não imunizadas."
Isto é má política. Quanto mais pessoas e animais infecta, maior é a probabilidade de o vírus sofrer uma mutação. A solução não é infectar as pessoas mas sim tentar que não sejam infectadas. A última coisa que queremos é um vírus bastante letal.
Quem ganhou ??????
Porquê que no verão todos os dias se contavam os engripados que até tinham direito a entrevista na TV e depois de um certo número deixaram de contar? cansaram-se? ou começaram a contar os engripados "normais" e perderam a conta? que mistério...buh!
Dário, admito que a probabilidade de mutação seja directamente proporcional ao número de replicações.
Mas estou a laborar no domínio da simples especulação, e essa é portanto a única hipótese que posso ter como válida.
Porquê ?
Porque não disponho de nenhuma informação sobre a probabilidade de ocorrência de mutantes que sejam simultaneamente viáveis e seriamente patogénicos nos casos de infecção celular por uma única estirpe, e menos ainda quando se trate de infecção conjunta por várias estirpes ( presumindo eu que esta última será potencialmente mais 'produtiva' ).
Não posso portanto medir as vantagens ou desvantagens de uma propagação controlada. Posso apenas sugerir que quanto mais cedo aumentar o número dos imunizados mais cedo se reduzirá a velocidade de propagação desta estirpe ou de outras que lhe sejam suficientemente próximas.
Mais uma vez, trata-se de mera especulação, uma vez que não é pública qualquer informação que permita a um vulgar cidadão apreciar o assunto com alguma seriedade.
É pena que assim seja, e, como vulgar cidadão, lamento ter de continuar limitado às encenações da sinistra ministra ou qualquer outro actor de serviço.
Lamento ter de continuar a viver na ignorância.
UM BASTONÁRIO IMPRUDENTE OU MAL AVISADO?
por João Vasconcelos Costa (virologista)
O dr. Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, criticou, em conferência de imprensa, o "excesso de alarme e zelo" na resposta à gripe A H1N1. "Não passa de uma gripe, uma doença banal, pouco letal, (...) isto é, uma doença banalíssima e não é preciso andarmos todos assustados." Quanto a não andarmos assustados, de acordo. Lembro o lema que adoptei desde o princípio desta gripe: "não há razão para alarme, há razão para preocupação informada". Tudo o resto dito pelo bastonário merece algumas observações.
Um bastonário não é qualquer pessoa, representa toda uma profissão essencial em relação a este assunto (embora, inevitavelmente, com membros seus a dizerem dislates), e vem legitimar uma corrente de opinião que está a menorizar a pandemia de gripe. Já não se trata de pessoas com comportamentos primários, como se viu ao princípio, agora são frequentemente pessoas educadas.
O dr. Pedro Nunes é oftalmologista, deve ser pouco versado em virologia ou infecciologia. Por isto, presumo que tenha pedido conselho a colegas especialistas, nos órgãos da Ordem. Se não o fez, foi imprudente. Se o fez, foi mal aconselhado.
Muitos clínicos, e parece-me ser este o caso, não compreendem a diferença de raciocínio para a saúde pública. Os clínicos lidam com doentes, com indivíduos, pensam em termos da gravidade do caso clínico. A saúde pública lida com grandes números, também com impactos económicos e sociais. Neste caso, para muitos médicos, a gripe é aquela mão-cheia de doentes que vão ver, feliz-mente com quadros clínicos geralmente benignos. Para um epidemiologista ou um decisor de saúde pública, esta gripe são dois ou três milhões de infectados. Para um virologista, esta gripe é jogo de escondidas com um vírus traiçoeiro, que de repente (esperemos que não) se pode mostrar não tão amigável.
Custa-me ver que a maior figura da classe médica não saiba ver uma coisa elementar: as consequências globais - incluindo as sociais - de duas doenças (no caso, duas variantes da gripe, a pandémica e a sazonal) com a mesma gravidade clínica individual e a mesma taxa de mortalidade são completamente diferentes, em grandes números, consoante o número de casos e a "taxa de disseminação" (termo incorrecto mas de compreensão geral) da doença. Numa gripe sazonal podemos ter à volta de 1000 mortes, na pandémica podemos ter 10.000. Isto é o mesmo para o bastonário?
Por outro lado, o dr. Pedro Nunes afirma concordar com o nosso plano de vacinação, independentemente de já ser muito significativa a percentagem de médicos que, por vezes emocionalmente e sem fundamento, declaram não quererem ser vacinados. Não percebo esta incongruência na posição do bastonário. Então uma doença banalíssima justifica o gasto enorme de 3 milhões de doses de vacina, na situação de constrangimento financeiro do SNS? E justifica que grávidas sem patologias especiais - mas internacionalmente consideradas como primeiro grupo de risco - fiquem para trás, em prioridade, em relação a médicos? Que médicos, os que vão tratar, segundo o bastonário, uma doença banalíssima, provavelmente, a seu ver, quase uma constipação a tratar com cama e chá quente?
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