A criança continua viva. Apesar de tudo.
No final dos eventos do Quds, o balanço é relativamente neutro.
No plano da populaça, os poucos confrontos que ocorreram envolveram apenas membros das milícias Basij e da oposição, apesar da presença significativa (mas não muito) de apoiantes das várias facções.
Pode dizer-se que o apelo de Khamenei não teve tradução efectiva. As suas massas não se sobrepuseram às dos oponentes, nem qualquer das partes se deixou tentar pela violência sectária.
Do lado da oposição, não há motivo para júbilo excessivo. Pode alegar-se que as ameaças de Khamenei, as dificuldades organizativas decorrentes da repressão contínua, ou até os feriados decretados em cima da hora, terão desmobilizado parte importante da classe média. Pela minha parte, embora me pareça que a utilização das movimentações pacíficas de massas seja uma estratégia muito interessante e que venha dando resultados muito positivos, a sua maior ou menor dimensão está sempre limitada pela capacidade mobilizadora dos objectivos propostos para cada acção singular. Relativamente à acção de ontem, os comentários que li traduziam a ausência de objectivos concretos para além de uma mera prova de vida.
No plano da direcção política, o impacto é um pouco maior.
Ahmadinejad apareceu debilitado. Não foi capaz de se referir à situação interna do país, preferindo jogar mais forte na conflitualidade face ao inimigo externo, com ênfase numa série de patacoadas sobre os judeus.
O exercício não teria por si só grande sucesso juntos dos iranianos, pois já se tornou demasiado óbvio e cansativo. Só produziu benefício político graças à imbecilidade de alguns dirigentes ocidentais, que logo esbracejaram como tolinhos.
Khamenei também perdeu algo. O seu apelo caíu em saco roto e ao longo do dia não teve qualquer relevância no discurso político. Foi simplesmente ignorado.
E do lado da oposição ? Rafsanjani foi de férias, Moussavi esteve mas não esteve, Khatami esteve mas pisgou-se depois de levar uns tabefes dos basiji, Karroubi passeou-se mais ou menos despercebido. Que se pode dizer ?... Missa est, venha a próxima.
A cena seguinte talvez tenha consequências mais notáveis, dependendo do conteúdo. Após uma gestação prolongada, o clero de Qom deverá na próxima semana emitir uma declaração conjunta. Embora o clero nunca seja raça de confiança, ali ou em qualquer outro lado, o facto de se sentir com os calos bem pisados poderá levá-lo a, uma vez sem exemplo, fazer alguma coisa útil.
No final dos eventos do Quds, o balanço é relativamente neutro.
No plano da populaça, os poucos confrontos que ocorreram envolveram apenas membros das milícias Basij e da oposição, apesar da presença significativa (mas não muito) de apoiantes das várias facções.
Pode dizer-se que o apelo de Khamenei não teve tradução efectiva. As suas massas não se sobrepuseram às dos oponentes, nem qualquer das partes se deixou tentar pela violência sectária.
Do lado da oposição, não há motivo para júbilo excessivo. Pode alegar-se que as ameaças de Khamenei, as dificuldades organizativas decorrentes da repressão contínua, ou até os feriados decretados em cima da hora, terão desmobilizado parte importante da classe média. Pela minha parte, embora me pareça que a utilização das movimentações pacíficas de massas seja uma estratégia muito interessante e que venha dando resultados muito positivos, a sua maior ou menor dimensão está sempre limitada pela capacidade mobilizadora dos objectivos propostos para cada acção singular. Relativamente à acção de ontem, os comentários que li traduziam a ausência de objectivos concretos para além de uma mera prova de vida.
No plano da direcção política, o impacto é um pouco maior.
Ahmadinejad apareceu debilitado. Não foi capaz de se referir à situação interna do país, preferindo jogar mais forte na conflitualidade face ao inimigo externo, com ênfase numa série de patacoadas sobre os judeus.
O exercício não teria por si só grande sucesso juntos dos iranianos, pois já se tornou demasiado óbvio e cansativo. Só produziu benefício político graças à imbecilidade de alguns dirigentes ocidentais, que logo esbracejaram como tolinhos.
Khamenei também perdeu algo. O seu apelo caíu em saco roto e ao longo do dia não teve qualquer relevância no discurso político. Foi simplesmente ignorado.
E do lado da oposição ? Rafsanjani foi de férias, Moussavi esteve mas não esteve, Khatami esteve mas pisgou-se depois de levar uns tabefes dos basiji, Karroubi passeou-se mais ou menos despercebido. Que se pode dizer ?... Missa est, venha a próxima.
A cena seguinte talvez tenha consequências mais notáveis, dependendo do conteúdo. Após uma gestação prolongada, o clero de Qom deverá na próxima semana emitir uma declaração conjunta. Embora o clero nunca seja raça de confiança, ali ou em qualquer outro lado, o facto de se sentir com os calos bem pisados poderá levá-lo a, uma vez sem exemplo, fazer alguma coisa útil.

Sem comentários:
Enviar um comentário