O híbrido

Convenhamos, o PSD apresenta-se às eleições numa posição de fraqueza.

Enquanto representante modelar do novo-riquismo competitivo que deu os seus primeiros passos no início da década de 70, tem naturalmente dificuldade em manter a unidade interna, só o conseguindo nas poucas ocasiões em que usufrui de uma liderança forte.

Não surpreende portanto que uma figura como MFL esteja fadada ao sacrifício. Canibalismo é assim mesmo, e MFL carrega a sua dose de culpa, na medida em que não conseguiu sequer alinhavar um programa eleitoral credível.

Mesmo nestas condições, seria de esperar que a arrogância e alguns dos insucessos de Sócrates e sus muchachos resultassem no rotativismo em que tanto gostamos de marinar.
Mas quiseram os deuses que o ayatollah de Belém se enrolasse numa história escura, faltando-lhe agora coragem ou seriedade para clarificar a situação. Conseguiu, de um só golpe, ressuscitar a possibilidade de Sócrates obter nova maioria absoluta.

E pronto, está tudo explicado. Ou não ?...

Julgo que não. O que me parece perigoso de há uns anos para cá é que o PS tenha sido sujeito a uma operação plástica que coseu o elitismo esclarecido, laico, republicano e vagamente socialista dos seus fundadores aos interesses de classe representados anteriormente pelo PSD, ainda por cima pela mão de um dos seus antigos membros.

O rotativismo parece ter cumprido o seu destino ao gerar um único filho, uma espécie de Frankenstein centrista. O PSD tornou-se por isso dispensável.
Poderão os partidos restantes dar conta do recado ?

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