Agora que a Inglaterra se prepara para remover os maiores obstáculos à investigação criativa envolvendo embriões humanos, abre-se um universo de possibilidades com implicações éticas particularmente sérias.
À discussão deste tema, infelizmente e comme d'habitude, a massa ignara dos cidadãos não é chamada. Porque lamento essa falha e simultaneamente chamo burros aos cidadãos ?... Bom, porque me parece pertinente.
Para que fique claro, não tenho qualquer oposição de princípio à manipulação do desenvolvimento embrionário a partir de células estaminais ou à produção de colónias viáveis de células híbridas.
Para todos os efeitos, já transpusémos o portal da divindade, quer isso nos agrade ou não, e não há caminho de regresso. O que podemos e devemos fazer é estabelecer com o maior rigor possível as balizas arbitrárias dos desenvolvimentos aceitáveis, com particular atenção à arrogância cega e febril, natural nos aprendizes de feiticeiro, que vai inevitavelmente assaltar muitos dos técnicos que estão ou venham a estar envolvidos nestas actividades.
Como o caminheiro, estamos condenados a fazer caminho ao caminhar.
Lamento por isso desde logo que o primeiro projecto de liberalização, criando um precedente infeliz, venha a ser decidido não por referendo mas por uma representação parlamentar que não é forçosamente a élite esclarecida que julga ser, assessorada ou grosseiramente manipulada por um corpo científico que manifestamente também não é a élite esclarecida que julga ser.
Lamento em seguida que, como acontece em tantas áreas importantes, essas élites auto-proclamadas deliberadamente mantenham os restantes cidadãos na mais absoluta ignorância com o objectivo de legitimar essa auto-proclamação. As massas são ignorantes, e é nesse estado que as élites pretendem mantê-las.
Posto isto, devo confessar que também tenho andado a brincar aos deuses e, depois de muitas experiências infrutíferas, consegui finalmente produzir uma nova versão da couve galega, por adição de cloroplastos às células estaminais de uma senhora galega de fina extracção. O resultado, viável até à idade adulta, é demonstrado na fotografia anexa. Deve notar-se que os procedimentos técnicos são ainda um pouco incipientes, pelo que folhagem parece relativamente mirrada.
A couve galega
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