Mais um tiro pela culatra

Plonk.
Depois de meses de chantagem, a população dos ghettos de Gaza e da Cisjordânia não parece impressionada.
Na sondagem mais recente, Haniyeh surge à frente de Abbas, com 47% contra 46%, repondo assim a supremacia do Hamas.
Má notícia para a demagogia ocidental.
De pouco está a servir a novíssima ronda dos vendedores de sonhos, poucos são os que acreditam que desta vez o direito palestiniano à autodeterminação seja tratado com alguma seriedade. A posição do ocupante não deixa margem para grandes dúvidas, trata-se apenas de mais um entretenimento destinado a proporcionar uma nova janela de tempo para implementação de mais alguns 'factos no terreno'.

Quanto tempo julgamos ter antes que a crise nos rebente na cara ?
Cem anos de expedientes não resolveram coisa nenhuma, antes amplificaram a magnitude do problema, e, sendo certo que a cada momento que passa a correlação de forças pende mais um pouco a favor da Ásia, seria prudente que as nossas luminárias percebessem que esta loucura facilmente nos colocará numa trajectória de confronto indirecto com a China e o seu aliado circunstancial russo.

A defesa de um império é claramente muito mais custosa que o esforço necessário para o derrubar. Admito que os EUA, por razões várias, possam não ter uma consciência clara deste facto, mas parece-me no mínimo estranho que a UE, da qual vários membros deram com os burros na água nas suas aventuras coloniais, não se empenhe em pôr um ponto final neste embuste.

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