A mixórdia que se vê na gravura não é uma couve-flor. É antes o que resulta de um gânglio nervoso que foi crescendo e mudando ao longo de milhões de anos.
Bom, crescendo não será a palavra certa. Entre a central eléctrica simples que comanda uma minhoca e a gigantesca salgalhada de um cérebro humano as diferenças não são apenas quantitativas.
Tal como acontece com outras das variadíssimas populações que constituem um ser humano, observamos no cérebro os traços de um padrão de desenvolvimento histórico por etapas, em que cada nova estrutura parece conviver de forma umas vezes harmoniosa, outras vezes conflituosa, com estruturas mais primitivas. Se pensarmos um pouco, faz sentido. Cada nova divergência pode desenvolver-se e trazer pequenos ou grandes benefícios, havendo a garantia de que as estruturas mais primitivas, testadas ao longo de muitas gerações, continuam a assegurar a viabilidade da colónia. O seguro morreu de velho.
Mas adiante, que mais tarde hei-de voltar a este aspecto. Por hoje, apetece-me apenas chamar a atenção do querido leitor para dois pormenores que me deixam intrigado...
Um é o âmbito estranhamente limitado de modos de tratamento de informação que toda a espécie humana exibe. Se o leitor reparar, os 6 mil milhões de representantes da espécie parecem processar de forma muito semelhante quer a informação proveniente do exterior, quer a armazenada. Mais extraordinário ainda, comungam da capacidade de manter a estabilidade dessa forma de processamento ao longo de quase toda a sua vida, incluindo, pasme-se, os saltos qualitativos entre a infância, adolescência e idade adulta.
A que se deverá tão reduzida variação ?
O outro é a distribuição de competências funcionais num cérebro individual. Nas estruturas mais antigas, a especialização funcional é compreensível. Mas... E no neocórtex ? Será válido afirmar que a dimensão das áreas afectas a funcionalidades específicas é, grosso modo, quase idêntica em todos os seres humanos, variando apenas ligeiramente de acordo com o regime de estimulação nas fases iniciais de desenvolvimento ? Porquê ? Porquê ?
Vou nanar...
O gânglio bem esgalhado
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