A lágrima do insecto

Definitivamente, não foi boa idéia punir colectivamente mais de um milhão de pessoas no ghetto de Gaza pelo crime de apoiarem o Hamas. Noutros tempos ou locais estaríamos a falar de um grave crime de guerra, mas como somos nós a perpetrá-lo, o crime transmuta-se em benesse.
Bom, parece que alguns dos nossos queridos líderes acordaram. Em poucos dias, florescem por todo o Ocidente as declarações sobre a necessidade de uma reavaliação da estratégia adoptada. Até em Israel se proclama a necessidade de acabar com o bloqueio e chamar o Hamas para a mesa das negociações.

Por cima de todo este lixo, também Blair apareceu agora a apelar à mudança, pedindo pão para as bocas esfomeadas, na esperança de que as massas ignaras, com a barriguinha cheia, acabem por isolar os tenebrosos ( ai tão horrorosos ! ) extremistas. No raciocínio simples do insecto, a solução é simples: se não podemos vencê-los pela brutalidade, tentemos corrompê-los.

Bom, bom... Chega de patetices, meus senhores.
Chamar nomes ao Hamas e matar os seus membros ou metê-los na prisão não resolve nada. Seria mais ou menos equivalente a, em Portugal, acusar as Misercórdias de exercerem o crime organizado e esturricar os provedores a tiros de míssil ou metê-los todos na cadeia. Embora a acusação possa ter algum fundamento, duvido que a populaça batesse palmas.

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