Talvez em resultado da contínua indefinição da élite, a classe média iraniana voltou às ruas.
Embora com a reserva apropriada a uma situação de blackout informativo quase total , é razoável afirmar que as manifestações de hoje têm aspectos notáveis.
O número de cidades envolvidas é elevado, idem para o número de participantes e seu entusiasmo.
É também significativo que, depois da sucessão de afirmações de posição de figuras de relevo da estrutura religiosa, as intervenções da polícia e das milícias tenham sido genericamente mais contidas que em episódios anteriores.
Haverá duas leituras possíveis para este facto, sendo uma a de que os decisores terão sido influenciados pelos repetidos apelos da estrutura religiosa, a outra a de que o grau de indecisão é agora tão elevado que as forças repressivas estarão menos resolutas na defesa do novo status quo, na expectativa talvez de uma mudança súbita na direcção política do país.
Trata-se afinal de um processo dinâmico, em que o prolongamento do impasse vai movendo as balizas para pontos imprevistos. Quer do lado civil quer do religioso, o discurso saíu da esfera da legitimidade do acto eleitoral e vai-se transformando em oposição aberta à teocracia.
Se inicialmente se podia perceber que o eixo Khamenei-Ahmadinejad representava uma facção religiosa una, ao longo da semana essa percepção foi-se abatendo com o aparecimento de sinais de rejeição provenientes de teólogos do campo conservador, que sentem ter sido envolvidos numa vulgar golpada que pouco tem a ver com questões religiosas.
Este impasse é perigoso, pois ao nível das élites não foi possível chegar a um compromisso que salvaguardasse a imagem da teocracia, pelo que essa imagem se tem vindo a degradar, o que se traduz num ânimo renovado dos seus opositores. E a cada passo nesse sentido, aumenta o risco de um confronto armado.
Embora com a reserva apropriada a uma situação de blackout informativo quase total , é razoável afirmar que as manifestações de hoje têm aspectos notáveis.
O número de cidades envolvidas é elevado, idem para o número de participantes e seu entusiasmo.
É também significativo que, depois da sucessão de afirmações de posição de figuras de relevo da estrutura religiosa, as intervenções da polícia e das milícias tenham sido genericamente mais contidas que em episódios anteriores.
Haverá duas leituras possíveis para este facto, sendo uma a de que os decisores terão sido influenciados pelos repetidos apelos da estrutura religiosa, a outra a de que o grau de indecisão é agora tão elevado que as forças repressivas estarão menos resolutas na defesa do novo status quo, na expectativa talvez de uma mudança súbita na direcção política do país.
Trata-se afinal de um processo dinâmico, em que o prolongamento do impasse vai movendo as balizas para pontos imprevistos. Quer do lado civil quer do religioso, o discurso saíu da esfera da legitimidade do acto eleitoral e vai-se transformando em oposição aberta à teocracia.
Se inicialmente se podia perceber que o eixo Khamenei-Ahmadinejad representava uma facção religiosa una, ao longo da semana essa percepção foi-se abatendo com o aparecimento de sinais de rejeição provenientes de teólogos do campo conservador, que sentem ter sido envolvidos numa vulgar golpada que pouco tem a ver com questões religiosas.
Este impasse é perigoso, pois ao nível das élites não foi possível chegar a um compromisso que salvaguardasse a imagem da teocracia, pelo que essa imagem se tem vindo a degradar, o que se traduz num ânimo renovado dos seus opositores. E a cada passo nesse sentido, aumenta o risco de um confronto armado.

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