Apesar de insistências de várias figuras públicas, aconteceu o impensável... Ahmadinejad recusou cumprir a ordem de Khamenei relativa à demissão do vice-presidente.
Trata-se de um sinal de fragmentação do campo conservador, que parece dividir-se em duas facções, uma delas centrada no ayatollah Yazdi, mentor de Ahmadinejad, e uma outra centrada em Khamenei talvez por dever de ofício.
Dir-se-ia que Khamenei estará a tentar reaver a postura supra-partidária inerente ao seu cargo, antes que a rápida perda de credibilidade o condene à deposição, mas o exercício colide frontalmente com o projecto corporizado por Ahmadinejad. Digo corporizado porque na verdade o jogo de influência se trava entre as vertentes ideológicas representadas por Khamenei e Yazdi.
Pelos sinais que esvoaçam de outras paragens, dir-se-ia ainda que o exercício de Khamenei não é solitário, antes parece de alguma forma combinado com sectores reformistas, que ainda hoje fizeram passar no conselho de peritos uma resolução no sentido de incompatibilizar o desempenho de funções governativas com a participação no conselho de guardiães. Separação de poderes, separação de poderes...
Ah, nota-se também um ligeiro abrandamento do controle sobre os media.
Julgo que as negociações de bastidores poderão estar a resultar em pequenas cedências mútuas capazes de evitar a derrocada do sistema. Nesse cenário, Ahmadinejad será uma figura a abater, ou a sujeitar pelo menos a um controle apertado, enquanto a Khamenei será assegurado um período mais ou menos alargado para sair com alguma dignidade da pocilga em que se meteu.
Poderá esta estratégia ser bem sucedida ? Creio que sim. Tenho desde há muito tempo a impressão de que o descontentamento popular se restringe quase exclusivamente ao sector da classe média urbana, um sector ainda demasiado débil para poder abalançar-se a encabeçar uma revolução.
Tive hoje a grata surpresa de, finalmente, ler dois artigos de grupos marxistas distintos que fazem uma análise semelhante, e que apontam a necessidade de incitar o operariado a envolver-se, e eventualmente liderar, a movimentação social actual.
Sem querer ser a ave de mau agouro, acho que há aqui um pequeno problema de agenda... A ligação de Ahmadinejad à defesa do interesse popular é bem real, e só uma degradação mais notória das condições de vida poderá, a prazo, conduzir o operariado à revolta.
Uma revolta que, mesmo assim, ficará subordinada aos interesses da classe média.
Trata-se de um sinal de fragmentação do campo conservador, que parece dividir-se em duas facções, uma delas centrada no ayatollah Yazdi, mentor de Ahmadinejad, e uma outra centrada em Khamenei talvez por dever de ofício.
Dir-se-ia que Khamenei estará a tentar reaver a postura supra-partidária inerente ao seu cargo, antes que a rápida perda de credibilidade o condene à deposição, mas o exercício colide frontalmente com o projecto corporizado por Ahmadinejad. Digo corporizado porque na verdade o jogo de influência se trava entre as vertentes ideológicas representadas por Khamenei e Yazdi.
Pelos sinais que esvoaçam de outras paragens, dir-se-ia ainda que o exercício de Khamenei não é solitário, antes parece de alguma forma combinado com sectores reformistas, que ainda hoje fizeram passar no conselho de peritos uma resolução no sentido de incompatibilizar o desempenho de funções governativas com a participação no conselho de guardiães. Separação de poderes, separação de poderes...
Ah, nota-se também um ligeiro abrandamento do controle sobre os media.
Julgo que as negociações de bastidores poderão estar a resultar em pequenas cedências mútuas capazes de evitar a derrocada do sistema. Nesse cenário, Ahmadinejad será uma figura a abater, ou a sujeitar pelo menos a um controle apertado, enquanto a Khamenei será assegurado um período mais ou menos alargado para sair com alguma dignidade da pocilga em que se meteu.
Poderá esta estratégia ser bem sucedida ? Creio que sim. Tenho desde há muito tempo a impressão de que o descontentamento popular se restringe quase exclusivamente ao sector da classe média urbana, um sector ainda demasiado débil para poder abalançar-se a encabeçar uma revolução.
Tive hoje a grata surpresa de, finalmente, ler dois artigos de grupos marxistas distintos que fazem uma análise semelhante, e que apontam a necessidade de incitar o operariado a envolver-se, e eventualmente liderar, a movimentação social actual.
Sem querer ser a ave de mau agouro, acho que há aqui um pequeno problema de agenda... A ligação de Ahmadinejad à defesa do interesse popular é bem real, e só uma degradação mais notória das condições de vida poderá, a prazo, conduzir o operariado à revolta.
Uma revolta que, mesmo assim, ficará subordinada aos interesses da classe média.

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