O sermão de Rafsanjani era mais esperado que o D. Sebastião.
Expectativa talvez desmesurada, mas reflectindo a necessidade de algum sinal que pusesse termo, a bem ou a mal, à curiosa suspensão da vida política iraniana.
Rafsanjani proferiu um discurso emocionado ( há relatos de que tremeu e chorou durante alguns momentos da alocução ) mas politicamente contido. Outra coisa não seria de esperar, qualquer frase mal medida poderia assinalar o fim do sistema teocrático. Notável a insistência repetida na idéia de que o poder só é islâmico quando legitimado pelo povo. O mote foi dado, o resto se verá.
Mas, talvez mais importante que o discurso é o ambiente circundante...
No interior do recinto os apoiantes de Khamenei gritaram a plenos pulmões, enquanto cá fora uma massa estimada em cerca de um milhão de pessoas fazia o mesmo, mas reclamando liberdade e apelidando Rafsanjani de traidor, enquanto os Basiji distribuíam cacetada e gás lacrimogénio.
Notícias poucas, que uma hora antes do sermão o governo encarregou-se de cortar a rede celular na zona da universidade.
Na televisão, pela primeira vez, não houve transmissão directa do sermão. Em seu lugar, passaram gravações de outros sermões, talvez menos controversos.
Há agora nas ruas demasiadas pessoas, demasiado expectantes. Uma massa humana que esperava algo que não aconteceu, nem poderia ter acontecido. Julgo essa massa irá agora fazer com que aconteça algo, sem saber exactamente o quê. Começaram por cercar o ministério do interior...
Um dia perigoso, este. Notícias não confirmadas informam que foi instaurado o estado de emergência na região de Teerão.
Expectativa talvez desmesurada, mas reflectindo a necessidade de algum sinal que pusesse termo, a bem ou a mal, à curiosa suspensão da vida política iraniana.
Rafsanjani proferiu um discurso emocionado ( há relatos de que tremeu e chorou durante alguns momentos da alocução ) mas politicamente contido. Outra coisa não seria de esperar, qualquer frase mal medida poderia assinalar o fim do sistema teocrático. Notável a insistência repetida na idéia de que o poder só é islâmico quando legitimado pelo povo. O mote foi dado, o resto se verá.
Mas, talvez mais importante que o discurso é o ambiente circundante...
No interior do recinto os apoiantes de Khamenei gritaram a plenos pulmões, enquanto cá fora uma massa estimada em cerca de um milhão de pessoas fazia o mesmo, mas reclamando liberdade e apelidando Rafsanjani de traidor, enquanto os Basiji distribuíam cacetada e gás lacrimogénio.
Notícias poucas, que uma hora antes do sermão o governo encarregou-se de cortar a rede celular na zona da universidade.
Na televisão, pela primeira vez, não houve transmissão directa do sermão. Em seu lugar, passaram gravações de outros sermões, talvez menos controversos.
Há agora nas ruas demasiadas pessoas, demasiado expectantes. Uma massa humana que esperava algo que não aconteceu, nem poderia ter acontecido. Julgo essa massa irá agora fazer com que aconteça algo, sem saber exactamente o quê. Começaram por cercar o ministério do interior...
Um dia perigoso, este. Notícias não confirmadas informam que foi instaurado o estado de emergência na região de Teerão.

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