Lembro-me bem de uma sujeita, provavelmente diplomata, afirmando perante as câmaras de televisão portuguesas que a Checheno-Ingúchia estava tranquila e nunca se separaria da Rússia.
Um ou dois dias depois, Dudayev declarava a secessão.
Um ou dois dias depois, Dudayev declarava a secessão.
Recomeçou então o inferno nesta região de charneira, repetidamente violentada ao longo da história e sujeita à ocupação russa desde há dois séculos, uma ocupação particularmente brutal cujo episódio mais grave seria o da deportação massiva da população às ordens de Estaline.
O que se seguiu à secessão foram anos de violência crescente, um período que culminaria com a deposição do presidente eleito Aslan Mashkadov, três anos depois de Dudayev ter levado com um míssil russo entre as orelhas.
Dir-se-ia que com a queda de de Mashkadov e a posterior ascensão e solidificação do poder do pró-russo Kadyrov, a Europa podia fazer de conta que nada se tinha passado, que a Chechénia era um problema interno russo que não suscitaria reparos desde que se mantivesse longe das câmaras.
Os cidadãos europeus apreciam estas soluções.
Mas os incómodos mantiveram-se, primeiro com o assassinato de Kadyrov, que a Rússia rapidamente substituiria pelo seu filho Ramzan, líder de uma milícia pouco recomendável. Tão rapidamente que o rapaz teve de aguardar uns anitos até atingir a idade legalmente admissível para ocupar a presidência. Depois, com episódios como o teatro de Moscovo, Beslan, ou os assassínios de Mashkadov e Politkovskaya, numa altura em que tentavam acordar com o Conselho da Europa uma solução política.
Dir-se-ia que com a queda de de Mashkadov e a posterior ascensão e solidificação do poder do pró-russo Kadyrov, a Europa podia fazer de conta que nada se tinha passado, que a Chechénia era um problema interno russo que não suscitaria reparos desde que se mantivesse longe das câmaras.
Os cidadãos europeus apreciam estas soluções.
Mas os incómodos mantiveram-se, primeiro com o assassinato de Kadyrov, que a Rússia rapidamente substituiria pelo seu filho Ramzan, líder de uma milícia pouco recomendável. Tão rapidamente que o rapaz teve de aguardar uns anitos até atingir a idade legalmente admissível para ocupar a presidência. Depois, com episódios como o teatro de Moscovo, Beslan, ou os assassínios de Mashkadov e Politkovskaya, numa altura em que tentavam acordar com o Conselho da Europa uma solução política.
E agora, com os atentados na Rússia e no Daguestão.
Podem os cidadãos europeus persistir no seu sono tranquilo ?
Talvez seja difícil... Se os atentados em Moscovo demonstram ( a quem não acompanhe o que se vai passando na Chechénia ) que a guerrilha chechena está viva, os do Daguestão, tal como já acontecera em Beslan, são a ponta do véu de um um cenário que se vem montando de há meia dúzia de anos para cá, o do lento alastramento da instabilidade ao conjunto das repúblicas do norte do Cáucaso.
A este alastramento, irá a Rússia certamente responder com um novo banho de sangue, pois Putin não pode arriscar apresentar-se às próximas eleições com um fracasso entre mãos, anos depois de ter garantido que o problema estava resolvido.
Mas não se apoquente o senhor Putin, pois do lado russo está bem alicerçado no racismo, e do lado europeu, passada a primeira comoção, pode contar com o silêncio habitual dos cidadãos.
Se o leitor nunca se tiver preocupado em tentar obter documentação sobre o que se tem efectivamente passado naquela zona nos últimos vinte anos, escusa de o fazer. Essa documentação existe, mas a sua observação resulta dolorosa, talvez demasiado dolorosa.
Permita-me que lhe sugira antes uma versão um pouco mais leve. Trata-se de uma reportagem algo extensa e já antiga ( produzida na altura do assassinato de Kadyrov ), legendada em inglês, que o irá ajudar a perceber porque existem mulheres jovens a quem chamam viúvas negras, e porque estão decididas a despedaçar-se levando consigo o maior número possível de vítimas que gostaríamos de poder catalogar como inocentes.
Talvez seja difícil... Se os atentados em Moscovo demonstram ( a quem não acompanhe o que se vai passando na Chechénia ) que a guerrilha chechena está viva, os do Daguestão, tal como já acontecera em Beslan, são a ponta do véu de um um cenário que se vem montando de há meia dúzia de anos para cá, o do lento alastramento da instabilidade ao conjunto das repúblicas do norte do Cáucaso.
A este alastramento, irá a Rússia certamente responder com um novo banho de sangue, pois Putin não pode arriscar apresentar-se às próximas eleições com um fracasso entre mãos, anos depois de ter garantido que o problema estava resolvido.
Mas não se apoquente o senhor Putin, pois do lado russo está bem alicerçado no racismo, e do lado europeu, passada a primeira comoção, pode contar com o silêncio habitual dos cidadãos.
Se o leitor nunca se tiver preocupado em tentar obter documentação sobre o que se tem efectivamente passado naquela zona nos últimos vinte anos, escusa de o fazer. Essa documentação existe, mas a sua observação resulta dolorosa, talvez demasiado dolorosa.
Permita-me que lhe sugira antes uma versão um pouco mais leve. Trata-se de uma reportagem algo extensa e já antiga ( produzida na altura do assassinato de Kadyrov ), legendada em inglês, que o irá ajudar a perceber porque existem mulheres jovens a quem chamam viúvas negras, e porque estão decididas a despedaçar-se levando consigo o maior número possível de vítimas que gostaríamos de poder catalogar como inocentes.

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