Do bom uso da coisa pública

Eliot Spitzer.

Caiu num ápice, o anjinho, ironicamente numa situação semelhante à que há uns anos atrás lhe dera notoriedade enquanto procurador. Desta vez, hélas, é um dos clientes.

Nada de espantar, numa élite política talvez demasiado dada ao hedonismo num país que se acha puritano. Ora, lá como cá, os ficheiros das polícias estão decerto carregadinhos destes segredinhos incómodos. Lá como cá, para quem souber mexer-se no momento que ache conveniente, é fácil transpor para o domínio público a identidade do cliente 9 e fazê-lo cair.

Talvez seja possível indicar o momento em que a sorte de Spitzer mudou. Talvez tenha sido o dia 14 de Fevereiro, em que publicou no Washington Post um artigo em que fazia acusações muito graves a um organismo federal que fiscaliza o sistema bancário, o OCC.

Como será do conhecimento dos mais atentos, há vários anos que alguns analistas vinham alertando para a iminência de uma crise devastadora no mercado imobiliário.
Ora, de acordo com Spitzer, em 2003 o OCC impediu activamente os estados de aplicar medidas de protecção ao consumidor, garantindo assim que não haveria oposição às práticas bancárias vigentes, apesar do protesto da totalidade dos estados. O jogo da D. Branca pôde assim continuar livremente, até à queda estrondosa a que agora assistimos, com a passagem ao estado gasoso de 1,3 triliões de dólares e o risco de colapso financeiro a nível global se a coisa der mesmo para o torto.

Para mais informações, p.f. consulte
www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/02/13/AR2008021302783.html

Para outras informações relacionadas, observe com atenção a realidade portuguesa. Vai ter muito com que se entreter.

1 comentário:

Anónimo disse...

"(...) com a passagem ao estado gasoso de 1,3 triliões de dólares (...)"

Passei uma hora a rir-me desta tirada.