A farsa parece estar a chegar ao fim, como todas as que a precederam.
Logo após Abbas ter confessado o seu despontamento quanto aos resultados do encontro com o Superpateta, o Hamas ( com toda a pertinência, diria eu ) sugeriu-lhe que oficialmente considere fracassadas as negociações para o estabelecimento do estado palestiniano.
De facto, mais uma vez, não só o governo israelita pretende de forma ostensiva arrastar os pés sem se expor a qualquer compromisso sério, como a administração norte-americana cobre a palhaçada sem um único gesto de protesto com efeitos práticos.
No estado em que as coisas se encontram, ao sabotar uma negociação crítica que se desejaria séria, Israel joga a sua existência com uma leviandade digna de nota.
Vejamos:
A norte e a sul enfrenta agora, pela primeira vez, duas forças não estatais bem organizadas, capazes de promover a curto prazo, sem intervenção directa de terceiros, uma acção de desgaste intensiva, à qual não poderá responder sem um massacre indiscriminado em larga escala, com uma posição política enfraquecida por manifesta má-fé.
Para contrabalançar esse perigo, o governo de Olmert tem vindo a alimentar ilusões perigosas quanto à possibilidade de cindir o campo islâmico, por um lado através de uma paz separada com a Síria, por outro através do estabelecimento de uma frente de conveniência com países sunitas para alegadamente contrabalançar o avanço xiita.
Será útil que fixemos na memória este momento, para que mais tarde os distintos agentes não possam descartar-se das suas responsabilidades. Todo o Ocidente se envolveu de forma inequívoca no boicote abjecto a um governo dotado de clara legitimidade democrática. Todo o Ocidente se solidariza agora com a destruição política do idiota útil Abbas. Veremos como irão os governos e cidadãos dos países ocidentais reagir ao que muito provavelmente se segue.
A agonia de um títere
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