Confesso que em vez de uma União Europeia preferiria, por um grande número de razões, uma União Mediterrânica.
Mais deixemos os sonhos de lado, que os meus concidadãos europeus preferem continuar a efabular sobre um clube europeu da cristandade, apesar de serem maioritariamente ateus ou agnósticos.
Ficar-me-ia então pelo paliativo mais próximo, a inclusão de um país de charneira, suficientemente pesado para que pudesse constituir um sinal sério de abertura. Precisamos disso como de pão para a boca.
A Turquia serve às mil maravilhas. Meio europeia, meio islâmica, meio democrática, meio tudo.
Não sendo a ponte perfeita para o mundo árabe, é o mais próximo que podemos encontrar. E vontade de inclusão parece não faltar.
A Turquia tem consciência plena do seu estatuto de charneira, e fez a sua escolha europeia em devido tempo, não uma mas várias vezes.
Infelizmente, não parece acontecer o mesmo do lado de cá, a resposta da UE tem sido um infindável e humilhante arrasta-pés, cujos resultados se vão tornando cada vez mais inquietantes. O capital de vontade política que as forças laicas ou religiosas turcas possam ter não é inesgotável, e a persistência de alguns de nós na efectiva construção de uma pindérica Fortaleza Europa está a minar lentamente essa vontade. Um passo aqui, outro além, e a Turquia acabará por desistir de várias coisas, laicidade incluída. Podemos ver o processo em marcha, e as suas fases seguintes poderão ser violentas e decisivas, acabando na morte definitiva de Ataturk.
A UE, por razões que a minha limitada razão desconhece, optou por investir a Leste o que deveria ter investido a Sudeste ou a Sul, e não parece ter tempo ou sequer vontade para emendar a mão.
O homem doente da Europa está a espirrar.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324727&idCanal=11
O homem doente está a espirrar
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